“Estou com infiltrados e olho seco devido a uma conjuntivite adenoviral. Essa fase crônica normalmente (na grande maioria dos casos) tem um fim?  Fiquei meses somente com os infiltrados. Infelizmente quando eu achei que estava ficando curada (uns dois meses atrás) de repente os olhos inflamaram e secaram. Vai completar 9 meses que tive a conjuntivite!”   

novembro 8, 2014

 

Não sei qual post dos meus blogs você leu…mas acredito que tenha sido aqui no www.duvidasemoftalmologia.com.  No meu outro blog postei um texto maior com toda informação disponível, em:    http://elizabethnavarrete.com/2013/08/15/conversando-um-pouco-mais-sobre-a-conjuntivite-adenoviral/ 

As respostas relativas à imunidade, as dúvidas a respeito de por que alguns têm a “forma crônica” e as opções de tratamento estão todas lá.

De qualquer forma, procure lembrar se ficou doente nos dois meses em que “haviam sumido as lesões” ou pelo menos as queixas. Se pode ter sido isso que levou à recidiva do quadro. Ou seja, uma diminuição da resposta imunológica ao vírus por conta do corpo ter tido que lidar com outra agressão sem ter concluído o ciclo infeccioso adenoviral nas suas células.

A diminuição da imunidade pode acontecer também apenas por sobrecarga emocional ou “stress” físico.

Você ficará bem, tenho certeza!

E a resposta à sua pergunta é sim…tudo tem seu ciclo (início, meio e fim). Mas também é verdade que ele pode durar até anos, mas é bem mais raro.  Se tiver alguma dúvida procure um imunologista e veja como anda sua saúde neste aspecto.

E mantenha acompanhamento com o seu oftalmologista pois não existem “fórmulas mágicas”. O que poderia ser usado já foi ou está sendo neste momento, conforme você esclareceu. A maior ajuda vem de você mesma! Do seu organismo em dia com suas defesas. Nessa fase você deve dar atenção à alimentação de qualidade, a uma boa noite de sono e identificar o que não deve fazer e que possa estar contribuindo para reduzir sua imunidade.

Acho que não há muito mais que eu tenha a acrescentar.

Fico torcendo pela sua pronta recuperação!

 

 

A seguir falo um pouco mais sobre a história natural da infecção ocular por adenovirus:

O espectro da conjuntivite por adenovírus é extremamente amplo e indivíduo dependente. A predisposição genética, a imunidade no período em que sobrevém a infecção, talvez a sensibilidade a outras famílias de vírus (como Herpes Simples e Epstein Barr, embora não se tenha ainda nenhum dado consistente a esse respeito podem ser responsáveis pela diferença importante de forma de apresentação clínica.

Alguns têm a forma leve, somente a conjuntivite e ficam bem em 1 semana ou um pouco mais. Outros permanecem com alguns sintomas significativos por volta de 30 dias. Outros ainda se queixam de embaçamento visual e olho seco por meses ou até anos, entre períodos de remissão e exacerbação, mostrando uma morbidade significativa.

A ceratoconjuntivite epidêmica (os sorotipos 8,19 e 37 são os principais) pode acontecer em 3 estágios diferenciados.

Entre 7 a 10 dias do início dos sintomas de conjuntivite surge a turvação visual por conta de uma inflamação na córnea chamada de ceratite puntata que pode melhorar em até 2 semanas.

Se o indivíduo entra no segundo estágio, no lugar da ceratite, ou seja, das lesões no epitélio da córnea (camada mais superficial) surgem opacidades sub-epiteliais, imediatamente abaixo das lesões epiteliais que estavam aos poucos desaparecendo. É a resposta do organismo ao vírus, uma reação imuno mediada e significa que o hospedeiro ainda não respondeu adequadamente à infecção viral e vai levar um tempo maior para ficar livre dos sintomas.

Num terceiro momento podem surgir os infiltrados estromais (a lesão se situa um pouco mais posterior (camada imediatamente abaixo daquela das lesões do segundo estágio – o estroma da córnea) que se atenuam gradativamente podendo levar nesse processo meses ou anos.

O tratamento sintomático com corticoide não altera a evolução natural da doença. Melhora os sintomas suprimindo a resposta inflamatória corneana, tão somente e por conta disso as lesões tendem a recorrer quando a corticoterapia é interrompida, mesmo que a retirada seja gradual. Mas isso não costuma acontecer sempre.

Em suma, a duração média da doença costuma ser de até 5 semanas.

Em casos de quadro clinico mais intenso e de evolução arrastada, trabalhos brasileiros com ciclosporina a 2%, 4 vezes ao dia e com redução lenta e gradual durante uma média de 6 meses tem mostrado bons resultados.

Outra alternativa em alguns casos é o Tacrolimus.

 

 


Infiltrados corneanos na conjuntivite adenoviral…

abril 15, 2012

“Há cerca de três anos tive uma inflamação nos olhos e ao procurar o oftalmologista, ele disse se tratar de uma conjuntivite viral causada por adenovírus. Na época apresentei os seguintes sintomas: olhos vermelhos, edema das pálpebras, gânglios próximo a orelha, dores intensas nos olhos. Passados alguns dias, constatei que a minha visão estava “embaçada” e por isso retornei ao médico. Ele então me receitou Florate. Porém, finalizado o tratamento, os sintomas voltaram a aparecer e procurei outro médico que me receitou Predmild.

Pouco tempo após o fim do tratamento a visão voltou a ficar ruim. Marquei nova consulta e passei a fazer tratamento utilizando a pomada Tacrolimus. O fato é que ao longo desses três anos, os sintomas voltaram a aparecer diversas vezes (mais ou menos nove vezes), e passei a sentir insegurança e achar que talvez eu tenha outra doença que justifique o aparecimento dos infiltrados na minha córnea. Lembro que na época que tive a primeira manifestação da doença eu estava com herpes na região da boca (perguntei para a médica se podia ser herpes ocular, mas ela disse que aparentemente não, pois não havia vesículas).

Existe possibilidade de ser herpes ou outra doença?

Quais as possíveis explicações para a doença ter voltado a se manifestar tantas vezes?”

A doença herpética corneana costuma evoluir de forma bem diferente (bem documentada e exaustivamente estudada). Costuma seguir padrões específicos. Apenas o primeiro episódio da doença herpetica pode simular uma conjuntivite viral (por adenovirus).

A conjuntivite adenoviral pode formar membranas conjuntivais (palpebrais) e reação epitelial corneana importante. Alguns pacientes evoluem bem, mas em outros indivíduos,quando os sintomas da conjuntivite desaparecem, a visão fica borrada devido aos infiltrados sub-epiteliais corneanos que indicam a segunda fase da doença. Quando os infiltrados são centrais e prejudicam de forma importante a visão, colírios corticosteróides são prescritos. Em alguns pacientes a retirada da medicação, mesmo sendo feita de forma lenta, resulta no retorno da sintomatologia. São os casos refratários (não à medicação, mas à sua retirada!).

Muitas vezes na fase crônica da doença adenoviral apenas o uso de colírio de ciclosporina A parece acelerar (e manter por tempo prolongado) a regressão dos infiltrados sub-epiteliais.

Você pergunta o porquê das recidivas…nós médicos não sabemos com certeza o que diferencia a evolução nos vários indivíduos. A imunidade com certeza é um fator (imunodepressão ou positividade para qualquer doença auto-imune). A coexistência de hipoparatireoidismo, episódios repetidos de candidiase ,alergia respiratória e/ou de pele ou historia prévia de cirurgia refrativa parecem estar relacionados em alguns outros casos.

Procure conversar com seu oftalmologista e avaliar a melhor conduta terapêutica no seu caso.


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