Monovisão com lentes intra-oculares: não deu certo…e agora?

outubro 21, 2012

“Aos 25 anos, fiz a cirurgia para correção de miopia com cortes (antes do laser). Fiquei 20 anos com visão perfeita. Aos 45 iniciou o processo de vista cansada e um pouco de miopia. Passei a usar óculos multifocais. Agora, aos 53 anos foi detectado catarata. Então optei por lentes intraoculares (com a retirada do cristalino) no processo monovisão. Como tenho um pouco de astigmatismo, não ficou perfeita a cirurgia. Acontece que pela manhã ou enquanto estou na luz natural, a minha visão para longe e para perto ficam boas, mas quando chega a noite e quando tenho que trabalhar em ambiente fechado no computador, minha visão fica horrível. Pedi então para o médico me passar lentes multifocais para uso a noite ou diante do computador. O resultado é que quando olho para um objeto quadrado ou retangular, o lado esquerdo aparece maior que o lado direito. Não fica linear.
Qual seria a maneira de corrigir este problema? Se eu fizer correção a laser do astigmatismo, pode melhorar? A cirurgia que fiz com lentes intraoculares, tem como ser desfeita?”

Apesar de não ter todos os dados que gostaria para opinar de forma mais assertiva, vou raciocinar com o que você relatou.

Você fez cirurgia de catarata (!?) e optou pela técnica da monovisão (lentes intraoculares para longe num dos olhos e perto no outro) para correção refracional.

O uso da monovisão requer aprendizado neuronal (neuro-adaptação). O ideal é fazer testes com lentes de contato antes de um procedimento definitivo como o implante de LIO (lente intra-ocular). A dificuldade que você relata provavelmente se deve à monovisão,sim. Com luz natural, a qualidade da visão é melhor. Assim como quando a catarata ainda não necessita cirurgia (significa apenas o envelhecimento do cristalino) e a visão é melhor com luz natural do que em ambientes fechados (a não ser com luz direcionada ao objeto que se vê, como na leitura, p.ex.).

Quando usamos a monovisão e em determinadas tarefas temos mais dificuldade (dependendo da iluminação ou da maior exigência visual) o que se faz é usar lentes de visão simples (não multifocais) para correção da ametropia de cada olho para aquela determinada distancia.
Por exemplo:

Quando dirigimos à noite, em uso de lentes de contato (ou LIO, no seu caso) adaptadas em monovisão, surgirá a necessidade de utilizar óculos com lentes para permitir a visão binocular (e com isso, mais qualidade visual). No olho que está usando correção para longe não colocamos grau na lente dos óculos (ou complementamos o grau que falta, p.ex. um pequeno astigmatismo não corrigido pelas lentes de contato (ou LIO, no seu caso).No olho em uso de correção para perto, a lente dos óculos deve compensar essa correção, readaptando o olho para a visão de longe. Com isso, a visão de longe ficará (do ponto de vista de “grau”), totalmente corrigida em ambos os olhos.O resultado é uma visão bem superior,com algumas qualidades pertinentes à binocularidade (e que a monovisão não permite).

O mesmo acontece para o trabalho no computador. A diferença entre os óculos multifocais e os óculos de visão simples para a correção da descompensação relativa à monovisão é que a tecnologia multifocal, por si só já cria dificuldade de fusão de imagens. Na construção das lentes multifocais são criados prismas ou efeitos prismáticos, alem de aberrações óticas, que podem atrapalhar mais ainda a fusão das imagens e reduzir o conforto da visão de perto ou ainda intermediária (computador). Os óculos multifocais ajudam bastante, mas têm indicações pontuais. Não implicam em qualidade em toda e qualquer circunstancia de uso da visão.

A referência a tamanhos diferentes de imagens (aniseiconia) se deve à diferença de graus entre os dois olhos. Antes o cérebro não precisava lidar com essa dificuldade. Além disso, ela fica superdimensionada pelos multifocais. Talvez óculos apenas para usar no computador possam ser mais adequados à sua necessidade atual. Ou os óculos multifocais foram inadequadamente montados criando aberrações que podem corrigidas. Nesse caso você deve conversar com seu oftalmologista, que deverá encaminhá-lo à consultoria do fabricante das lentes multifocais que você está usando, para que seja reavaliada a montagem, na tentativa de melhorar seu conforto.

Quanto a uma nova cirurgia, as queixas referidas não me parecem se dever ao astigmatismo e, portanto não seria a primeira opção para resolver o problema. A não ser que seja um astigmatismo importante.Mas, não conheço os detalhes. E quanto à sua pergunta a respeito das LIOs implantadas, sim é possível explantar a LIO de perto e fazer implante secundário neste olho de uma lente visão simples para longe. A possibilidade existe, mas não deve ser sua primeira opção. Não acredito que um cirurgião de segmento anterior sugira o procedimento sem antes tentar resolver suas queixas clinicamente.

Não existe intervenção cirúrgica sem risco. E você já se submeteu a várias. Pense a respeito. Alem disso, após a facectomia a monitorização vitreo-retiniana é interessante pelas intercorrencias possíveis em relação ao polo posterior do olho, no longo prazo. A reoperação aumenta o risco de incidência de complicação futura.

Converse com o seu médico. E se o oftalmologista que sempre o acompanhou, não for o médico que o operou, volte a ele com as queixas atuais. Ele poderá ajudá-lo! A percepção do clinico é um pouco diferente em relação à do cirurgião. A experiência é baseada na vivencia diária, que nesse caso não é a mesma. O clinico completa o cirurgião e vice-versa.


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