Busca

Dúvidas em Oftalmologia

conversando com o oftalmologista…

Categoria

astigmatismo

A escolha das LIOs (lentes intra-oculares) na cirurgia de catarata

“Eu necessito me programar financeiramente para operação de catarata. A minha pergunta é: Qual a diferença entre as lentes importadas e as nacionais que acredito serem mais em conta. Me informe por favor”.

Alguns internautas perguntam sobre diferenças entre as LIOs (lentes intra-oculares) importadas e as nacionais, muitos questionando a diferença de preço, qualidade e melhor relação custo-benefício quanto à visão final. Eu realmente penso que a decisão sobre a LIO a ser implantada deve ser pensada a dois:  paciente e cirurgião. Dúvidas a respeito das lentes (e soluções visuais possíveis) devem ser exaustivamente discutidas e a experiencia do cirurgião com determinadas lentes também (isso facilita o implante e reduz o tempo de cirurgia, o que também acaba favorecendo o resultado final da cirurgia).

Quanto às diferenças de tipos de lentes, transcrevo aqui texto do Dr Armando Crema na revista digital do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) destinada ao público leigo e disponível na integra em http://www.cbo.com.br/novo/geral/pdf/revista-03.pdf

“As lentes intraoculares (LIOs) são classificadas em monofocais – corrigem apenas um foco, de perto ou de longe – e multifocais – corrigem a visão de perto, intermediária e de longe. As lentes tóricas – mono ou multifocais – corrigem também o astigmatismo.

E existem ainda as lentes pseudoacomodativas. Todas essas LIOs podem ser introduzidas por microincisões de 2 mm, diminuindo a incidência de complicações pré e pós-operatórias. Melhoram a visão já no curto prazo, fazendo com que os pacientes tenham melhor quantidade e qualidade de visão, explica Dr. Armando Crema”.

 

Seguem links de páginas (internet) destinadas a leigos.

 

http://esteticaplus.blogspot.com.br/2012/08/lente-intra-ocular-na-cirurgia-de.html

No site acima foi resumida a questão das LIOs (lentes intra-oculares) em que 3 pontos principais que devem ser levados em consideração. Apesar de concisa, a matéria é bem prática e esclarece dúvidas.

Penso que o indivíduo deve ser bastante transparente com o médico que escolheu para operá-lo e dividir angustias, dificuldades e expectativas em relação à cirurgia. Tão ou mais importante que a LIO a ser implantada é a expertise e a confiança no cirurgião.

 

Outras referências do Google:

 

http://visarehospitaldeolhos.com.br/tratamento-de-doencas-oculares/lentes-intraoculares/

http://www.doctoralia.com.br/provamedica/facectomia+para+implante+de+lente+intraocular-15157/pergunta/qual-a-diferencada-lente-nacional-para-a-lente-internacional-para-facectomia-52074

 

E a entrevista de um oftalmologista num site para leigos…muito interessante do ponto de vista prático: http://www.marisadelucia.com.br/notas.asp?iDCat=20&iDTxt=2562

 

E a respeito do posicionamento oficial sobre planos de saúde e LIOs, o link é  http://www.jotazerodigital.com.br/cbo-e-abccr-emitem-documento-sobre-lentes-intraoculares-na-saude-suplementar.php

 

Espero que as referencias postadas possam ajudar a esclarecer as dúvidas de muitos!

 

Anúncios

Cirurgia refrativa, visão 20/20 e baixa qualidade visual

“Fui submetido a ceratotomia radial cerca de 20 anos atrás. O resultado imediato foi excelente,e hoje em dia posso dizer que durante o dia tenho uma visão perfeita. Durante a noite ou em ambientes pouco iluminados, vejo alguns halos ou fantasmas em volta de luzes. Não chega a ser algo que me impeça de dirigir a noite, ou ir ao cinema, porém as vezes incomoda.

Consultei vários médicos e não consegui ainda obter uma resposta se existe ou não correção pra este problema.Alguns dizem não ter nada a fazer, enquanto outros dizem já ter corrigido vários outros com o mesmo problema que eu.

Existe algo que funcione no meu caso?

Lentes esclerais podem resolver? O Wavefront funciona nestes casos?”

Em condições em que a pupila está mais dilatada (à noite e em locais pouco iluminados), as aberrações corneanas causam sintomas desagradáveis. Após a cirurgia refrativa, mesmo bem sucedida quantitativamente, isto é, com acuidade visual final 20/20 (100%),a qualidade visual baixa pode ser resultado da percepção de halos ao redor de luzes ou imagens fantasmas devido às aberrações de alta ordem consequentes ou hiperdimensionadas pela cirurgia.

O wavefront avalia as imperfeições individuais da córnea (aberrações de baixa, média e alta ordens). Em outras palavras o wavefront faz aberrometria. Deve-se então quantificar e qualificar (caracterizar)adequadamente essas aberrações antes de pensar em fazer nova cirurgia refrativa, numa abordagem mais individualizada.

No caso da ceratotomia radial, se o diâmetro da pupila é maior que a média em condições de iluminação ambiente, no escuro ela aumenta e as cicatrizes radiais da cirurgia modificam a qualidade de visão de imagens iluminadas (halos e fantasmas).

Então, como você viu, não apenas o tipo de cirurgia refrativa,o grau a ser corrigido, mas o diâmetro da pupila e as alterações topográficas corneanas são variáveis a se levar em conta na correção cirúrgica das ametropias (aberrações de baixa ordem).

Não existe proposta terapeutica ideal: desde alterações artificiais do diametro pupilar na ceratotomia radial(medicamentos),o uso de filtro amarelo (que aumentam a sensibilidade ao contraste à noite)nas cirurgias a laser, as lentes de contato pós-cirurgia (em ambas situações)ou mesmo as lentes com diametro pupilar fixo (cosmeticas) no caso das ceratotomias. Varia caso a caso.

Há necessidade de avaliação topografica de excelente qualidade,indicando com precisão as aberrações presentes, alem de avaliação da superficie ocular e do filme lacrimal. Aí então se decide por tentar intervir cirurgicamente ou por proposta menos invasiva para tentar solucionar a queixa do individuo.

Converse novamente com o medico oftalmologista, exponha as suas dúvidas e tenho certeza de que vocês decidirão a forma de intervir mais acertada para melhorar a qualidade da sua visão!

Espero ter ajudado!

Calázios de repetição e conjuntivite unilateral crônica…

Comentário de uma internauta:

“Fui diagnosticada com conjuntivite em um olho há alguns anos. Soma-se a esse fato, a presença de pequenos calázios em ambos os olhos. Após mais de 5 anos, consultas em vários médicos diferentes e uso de Tobradex, continuo com a conjuntivite, que volta a me incomodar periodicamente com uma ligeira vermelhidão e incômodo. Me sinto desacreditada em relação aos oftalmologistas que consultei, pois nenhum deles parece compreender a persistência do problema e o incômodo gerado por ele. Gostaria de saber como uma conjuntivite pode durar tanto e se existe algum tratamento que poderia ser mais eficaz. Além disso, também gostaria de saber se existe relação entre os calázios e a conjuntivite. Não sei mais o que fazer, me sinto frustrada!”

Calázios de repetição podem estar relacionados a blefarites crônicas em pacientes seborreicos (pele e cabelos oleosos, acneicos na adolescência) ou quando crianças com quadros de impetigo. Os indivíduos alérgicos (principalmente a antígenos bacterianos) melhoram com a dessensibilização (consultar alergo-imunologista). Algumas vezes quando nada melhora, ao se corrigirem defeitos de refração (astigmatismo/ hipermetropia) pequenos e muitas vezes assintomáticos, sobrevém um período longo de remissão dos calázios.

Quanto à conjuntivite unilateral de repetição você deve ser reavaliada, durante a próxima crise, inclusive, se possível, com citologia conjuntival, bacterioscopia e cultura da secreção conjuntival (se houver). Às vezes alguns testes plasmáticos (para clamydia, herpes virus, etc) podem ajudar a identificar a causa da conjuntivite crônica unilateral atípica.

Outras vezes, a presença de mínima disfunção de vias lacrimais ou mesmo a identificação (pelo otorrinolaringologista) de alguma alteração à rinoscopia (p.ex. um pólipo nasal) pode lentificar a drenagem da lágrima através do ducto nasolacrimal ipsilateral (do mesmo lado do olho afetado). Ou mesmo quando existe algum grau de edema da mucosa nasal (gripe,resfriado ou rinite alérgica, p. ex.), no olho que já apresenta algum grau de dificuldade de drenagem da lagrima, essa retenção maior permite que a microbiota local encontre condições de proliferação mais rápida e acentuda.

Esses germes existem naturalmente em vários pontos do organismo, numa relação simbiótica com ele, sem significar (nem levar ao) adoecimento. Em condições normais existe equilíbrio (homeostasia). Quando elas, bactérias se multiplicam mais rapidamente do que o organismo consegue combatê-las, aquele olho “inflama”.

A lágrima é um excelente “caldo de cultura” para o desenvolvimento dos germes. Por isso bebês com alteração das vias lacrimais excretoras podem apresentar frequentemente secreção no canto dos olhos, mesmo quando não apresentam inflamação aguda (dacriocistite aguda), acompanhada dos sinais clínicos clássicos da doença. O lacrimejamento a vermelhidão e a secreção nessas crianças piora sempre que elas ficam gripadas.

E finalmente, tanto calázios quanto conjuntivite crônica podem ter em comum uma possível relação com baixa imunidade local (olho) e/ou sistêmica.

No próximo episódio de conjuntivite (sintomas incômodos e unilaterais), relate seu quadro detalhadamente ao médico como ela surge, qual o primeiro sintoma a incomodar (coceira, pálpebras inchadas, presença de gânglios, próximo à orelha e/ou outros). Tente estabelecer relação com outros eventos (sistêmicos) que possam estar ocorrendo paralelamente aos sintomas oculares e estará ajudando (muito) o seu médico a identificar a causa provável e assim propor a estratégia terapêutica adequada.

Converse com o seu oftalmologista! Tenho certeza de que juntos encontrarão a solução para seus sintomas oculares.

Abs,

A miopia continua aumentando com o tempo… o uso do computador é prejudicial?

“Tenho miopia (3 dioptrias) e astigmatismo.
Queria saber se é possível esses três graus reduzirem com o tempo. Uso óculos e às vezes é desconfortável. Faço consulta anual, mas a miopia sempre aumenta. Fico preocupado, pois se aumenta meio grau por ano vou atingir dez graus ràpidamente, e ainda jovem! Será que é possível esse grau diminuir? A partir de que idade? Estou com 26 anos.

Outra dúvida: fico muito tempo no computador e às vezes preciso usar o monitor com luz apagada (para não incomodar o quarto ao lado). Queria saber se isso é muito prejudicial aos olhos. Uso lubrificante ocular. Sinto às vezes minhas vistas um pouco cansadas. Isso indica que é hora de parar e descansar?

Qual a cirurgia refrativa mais indicada para meu caso?”

A miopia costuma ter um comportamento parecido com esse:

Aumenta na adolescência/adultescencia e diminui na fase adulta tardia. O aumento se deve não somente ao perfil genomico (segundo a informação genética para desenvolvimento axial daquele olho, ou seja, a miopia aumenta até que o tamanho do eixo antero-posterior daquele olho seja atingido,o que acontece geralmente entre os 22-28 anos, em média). Mas também outras influencias do tipo usar muito a visão de perto sem fazer intervalos, em que se alterna o foco de perto com o focar para longe por alguns minutos: isso pode “aumentar” a miopia, e é comum em indivíduos em fase de vestibular, ou estudo para concurso ou ainda defesa de tese (mestrão,doutorado,pós,etc.). A imersão na leitura constante e ininterrupta costuma piorar a visão de longe (embora este fato possa ser transitório e se pudéssemos ter uns óculos para esta fase e tentar retomar os anteriores, devagar, após o período de “estresse visual” poderia ser uma boa oportunidade para não aumentar cada vez mais o grau dos óculos.

A visão, como tudo no organismo, é bastante dinâmica. Conhecemos essa flutuação na visão pela experiência com o diabetes, por exemplo, que quando descompensado pode variar de forma importante o grau dos óculos e com a catarata (no inicio e durante o seu desenvolvimento gradual). O uso de antidepressivos, outro exemplo, piora a visão de perto, mesmo em jovens. Também devem existir muitos outros fatores que ainda não aprendemos a reconhecer, influenciando o grau final dos óculos (além das doenças oculares propriamente ditas, claro!

Se você não tem familiares com alta miopia (acima de 6 dioptrias) não se preocupe que sua miopia não aumentará indefinidamente e será muito menor do que o valor que preocupa você! Na verdade, olhe no seu entorno familiar e veja até onde ela pode ir em média e trabalhando apenas com dados estatísticos.Saiba mais sobre alta miopia em

A situação de uso inadequado da visão, ou diria melhor, a utilização do sistema visual em condições menos favoráveis, não tem o significado de piorar, aumentar o grau dos olhos ou desenvolver esta ou aquela patologia orgânica ocular. Os sintomas que podem surgir advém do piscar incompleto e da menor freqüência do piscar, do esforço acomodativo para ver perto, e também da não alternância do foco de longe e perto varias vezes ao longo da leitura (mais na tela do que no papel). Outros fatores podem contribuir para o cansaço visual no trabalho visual de perto (o termo médico usado é “astenopia”).

Consulte os links abaixo para conhecer mais sobre ergo-oftalmologia:

Em relação à cirurgia refrativa, para se optar por um dos procedimentos existentes e, mais ainda, para se decidir pela indicação cirúrgica (avaliar prós e contras) deve-se levar em consideração vários fatores relacionados ao próprio olho: avaliação retiniana, pressão intra-ocular, existência ou não de disfunção motora, espessura de córnea, superficie ocular(estabilidade do filme lacrimal) e topografia corneana, entre outros.

Portanto, quem pode identificar se você é um bom candidato à cirurgia refrativa e, se for,que tipo de técnica seria mais indicada no seu caso,é o oftalmologista especializado em cirurgia refrativa.

Converse com o seu oftalmologista!

Espero ter podido ajudar.

Abs,
Elizabeth

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: