Busca

Dúvidas em Oftalmologia

conversando com o oftalmologista…

Tag

cirurgia refrativa

A cirurgia da miopia pode piorar o estrabismo?

A cirurgia refrativa está contra-indicada em caso de estrabismo pré-existente?

“Estou querendo fazer uma cirurgia para correção da visão (cirurgia refrativa).
Fui ao oftalmologista do SUS onde realizei alguns exames; a oftalmologista me deu a resposta na mesma hora dizendo que havia um desvio no meu olho esquerdo e que se fizesse a cirurgia o desvio poderia aumentar, portanto não seria aconselhável operar.
Quis uma segunda opinião, fui ao oftalmologista do meu plano de saude, realizei todos os exames e fui orientada a realizar a cirurgia. O médico não me alertou sobre o risco que a outra oftalmologista sugeriu. Nem mesmo após eu ter questionado a respeito. Tem sido sempre evasivo.
Minha dúvida é a seguinte, existe o risco de este desvio aumentar após a cirurgia? Mesmo em se tratando de um desvio pequeno (para fora) no olho esquerdo?”

O estrabismo divergente latente ( exoforia, quando só se detecta ao exame oftalmológico) ou manifesto (aquele que o leigo percebe) fica esteticamente mais compensado com o uso dos óculos,quando o individuo é míope. Isso se dá por conta de um “efeito prismático” das lentes corretoras negativas (usadas pelos míopes) que funciona a favor nesses casos e diminui o “angulo” do estrabismo.

Em outras palavras, os óculos do míope que tem estrabismo divergente “ajudam a diminuir”o desvio dos olhos.Tanto que quando esse mesmo individuo usa lentes de contato o desvio fica mais evidente (por que as lentes negativas dos óculos -que ficam a uma distancia de 12mm dos olhos- “criam” esse efeito prismatico e as lentes de contato não, pois a distancia entre a correção (lente negativa) e a cornea é praticamente zero!

A disfunção motora (estrabismo latente ou manifesto) não é contra-indicação formal (absoluta) em relação à cirurgia refrativa. Mas,mesmo se tratando de contra-indicação relativa, você deve ser avaliada criteriosamente e orientada em relação a todos os prós e contras relacionados ao procedimento cirúrgico em seu caso.

Antes de optar pela cirurgia seria interessante você fazer uma avaliação ortóptica para mensurar o desvio e avaliar a qualidade da sua visão binocular e, se você e seu médico se decidirem pela cirurgia, o reforço da musculatura, a melhora da cooperação binocular são ajustes desejáveis para dar suporte ao maior trabalho que seus músculos terão quando não for mais necessário uso de lentes negativas para corrigir a visão.

Faça isso antes da cirurgia para tentar evitar surpresas desagradáveis no pós operatório imediato e/ou tardio.Consulte mais de um oftalmologista (cirurgião refrativo) se necessário. Cada profissional tem uma experiência diferente de uma mesma situação e cada caso é um caso.

E tenha a certeza de ter todas as suas dúvidas dirimidas antes de se decidir pela correção cirúrgica. Uma relação médico-paciente bem construída é o primeiro passo para o sucesso terapêutico!

Anúncios

Cirurgia refrativa, visão 20/20 e baixa qualidade visual

“Fui submetido a ceratotomia radial cerca de 20 anos atrás. O resultado imediato foi excelente,e hoje em dia posso dizer que durante o dia tenho uma visão perfeita. Durante a noite ou em ambientes pouco iluminados, vejo alguns halos ou fantasmas em volta de luzes. Não chega a ser algo que me impeça de dirigir a noite, ou ir ao cinema, porém as vezes incomoda.

Consultei vários médicos e não consegui ainda obter uma resposta se existe ou não correção pra este problema.Alguns dizem não ter nada a fazer, enquanto outros dizem já ter corrigido vários outros com o mesmo problema que eu.

Existe algo que funcione no meu caso?

Lentes esclerais podem resolver? O Wavefront funciona nestes casos?”

Em condições em que a pupila está mais dilatada (à noite e em locais pouco iluminados), as aberrações corneanas causam sintomas desagradáveis. Após a cirurgia refrativa, mesmo bem sucedida quantitativamente, isto é, com acuidade visual final 20/20 (100%),a qualidade visual baixa pode ser resultado da percepção de halos ao redor de luzes ou imagens fantasmas devido às aberrações de alta ordem consequentes ou hiperdimensionadas pela cirurgia.

O wavefront avalia as imperfeições individuais da córnea (aberrações de baixa, média e alta ordens). Em outras palavras o wavefront faz aberrometria. Deve-se então quantificar e qualificar (caracterizar)adequadamente essas aberrações antes de pensar em fazer nova cirurgia refrativa, numa abordagem mais individualizada.

No caso da ceratotomia radial, se o diâmetro da pupila é maior que a média em condições de iluminação ambiente, no escuro ela aumenta e as cicatrizes radiais da cirurgia modificam a qualidade de visão de imagens iluminadas (halos e fantasmas).

Então, como você viu, não apenas o tipo de cirurgia refrativa,o grau a ser corrigido, mas o diâmetro da pupila e as alterações topográficas corneanas são variáveis a se levar em conta na correção cirúrgica das ametropias (aberrações de baixa ordem).

Não existe proposta terapeutica ideal: desde alterações artificiais do diametro pupilar na ceratotomia radial(medicamentos),o uso de filtro amarelo (que aumentam a sensibilidade ao contraste à noite)nas cirurgias a laser, as lentes de contato pós-cirurgia (em ambas situações)ou mesmo as lentes com diametro pupilar fixo (cosmeticas) no caso das ceratotomias. Varia caso a caso.

Há necessidade de avaliação topografica de excelente qualidade,indicando com precisão as aberrações presentes, alem de avaliação da superficie ocular e do filme lacrimal. Aí então se decide por tentar intervir cirurgicamente ou por proposta menos invasiva para tentar solucionar a queixa do individuo.

Converse novamente com o medico oftalmologista, exponha as suas dúvidas e tenho certeza de que vocês decidirão a forma de intervir mais acertada para melhorar a qualidade da sua visão!

Espero ter ajudado!

A miopia continua aumentando com o tempo… o uso do computador é prejudicial?

“Tenho miopia (3 dioptrias) e astigmatismo.
Queria saber se é possível esses três graus reduzirem com o tempo. Uso óculos e às vezes é desconfortável. Faço consulta anual, mas a miopia sempre aumenta. Fico preocupado, pois se aumenta meio grau por ano vou atingir dez graus ràpidamente, e ainda jovem! Será que é possível esse grau diminuir? A partir de que idade? Estou com 26 anos.

Outra dúvida: fico muito tempo no computador e às vezes preciso usar o monitor com luz apagada (para não incomodar o quarto ao lado). Queria saber se isso é muito prejudicial aos olhos. Uso lubrificante ocular. Sinto às vezes minhas vistas um pouco cansadas. Isso indica que é hora de parar e descansar?

Qual a cirurgia refrativa mais indicada para meu caso?”

A miopia costuma ter um comportamento parecido com esse:

Aumenta na adolescência/adultescencia e diminui na fase adulta tardia. O aumento se deve não somente ao perfil genomico (segundo a informação genética para desenvolvimento axial daquele olho, ou seja, a miopia aumenta até que o tamanho do eixo antero-posterior daquele olho seja atingido,o que acontece geralmente entre os 22-28 anos, em média). Mas também outras influencias do tipo usar muito a visão de perto sem fazer intervalos, em que se alterna o foco de perto com o focar para longe por alguns minutos: isso pode “aumentar” a miopia, e é comum em indivíduos em fase de vestibular, ou estudo para concurso ou ainda defesa de tese (mestrão,doutorado,pós,etc.). A imersão na leitura constante e ininterrupta costuma piorar a visão de longe (embora este fato possa ser transitório e se pudéssemos ter uns óculos para esta fase e tentar retomar os anteriores, devagar, após o período de “estresse visual” poderia ser uma boa oportunidade para não aumentar cada vez mais o grau dos óculos.

A visão, como tudo no organismo, é bastante dinâmica. Conhecemos essa flutuação na visão pela experiência com o diabetes, por exemplo, que quando descompensado pode variar de forma importante o grau dos óculos e com a catarata (no inicio e durante o seu desenvolvimento gradual). O uso de antidepressivos, outro exemplo, piora a visão de perto, mesmo em jovens. Também devem existir muitos outros fatores que ainda não aprendemos a reconhecer, influenciando o grau final dos óculos (além das doenças oculares propriamente ditas, claro!

Se você não tem familiares com alta miopia (acima de 6 dioptrias) não se preocupe que sua miopia não aumentará indefinidamente e será muito menor do que o valor que preocupa você! Na verdade, olhe no seu entorno familiar e veja até onde ela pode ir em média e trabalhando apenas com dados estatísticos.Saiba mais sobre alta miopia em

A situação de uso inadequado da visão, ou diria melhor, a utilização do sistema visual em condições menos favoráveis, não tem o significado de piorar, aumentar o grau dos olhos ou desenvolver esta ou aquela patologia orgânica ocular. Os sintomas que podem surgir advém do piscar incompleto e da menor freqüência do piscar, do esforço acomodativo para ver perto, e também da não alternância do foco de longe e perto varias vezes ao longo da leitura (mais na tela do que no papel). Outros fatores podem contribuir para o cansaço visual no trabalho visual de perto (o termo médico usado é “astenopia”).

Consulte os links abaixo para conhecer mais sobre ergo-oftalmologia:

Em relação à cirurgia refrativa, para se optar por um dos procedimentos existentes e, mais ainda, para se decidir pela indicação cirúrgica (avaliar prós e contras) deve-se levar em consideração vários fatores relacionados ao próprio olho: avaliação retiniana, pressão intra-ocular, existência ou não de disfunção motora, espessura de córnea, superficie ocular(estabilidade do filme lacrimal) e topografia corneana, entre outros.

Portanto, quem pode identificar se você é um bom candidato à cirurgia refrativa e, se for,que tipo de técnica seria mais indicada no seu caso,é o oftalmologista especializado em cirurgia refrativa.

Converse com o seu oftalmologista!

Espero ter podido ajudar.

Abs,
Elizabeth

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: