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Dúvidas em Oftalmologia

conversando com o oftalmologista…

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mapeamento de retina

Descolamento de retina…dúvidas

“Fiz uma cirurgia de DR e até o ocorrido não conhecia este problema. De repente a sensação era como se tivesse um véu cobrindo a visão e fiquei praticamente sete dias sem enxergar parcialmente do olho direito. Foi então que um oftalmologista fez o diagnostico de DR, e pediu para eu procurar um cirurgião o mais rápido possível , se não perderia a visão.Acabei fazendo a cirurgia com gás. Tenho 40 anos e nunca tive nenhum sintoma. Não tenho nenhum caso na família de DR, não tenho pressão alta, diabetes, não tomo nenhum medicamento e também não sofri nenhum acidente. Como pode ter ocorrido este problema? Nenhum oftalmologista pediu que eu fizesse mapeamento de retina, antes de acontecer o DR. Agora estou em fase de recuperação mas a visão está turva. Tenho medo de não voltar a ver como antes. Sou míope de 3 dioptrias. Vou poder usar lentes de contato novamente?”

O descolamento de retina não acontece apenas em altos míopes ou indivíduos com historia familiar (DR). Qualquer um de nós pode vir a ter uma sequencia de eventos que leve ao DR. Além das degenerações de risco para DR (que podemos ter e não saber, por não serem sintomáticas), qualquer fator, inflamatório ou infeccioso,local ou sistêmico, além do trauma por si só pode desestabilizar a relação vitreo-retiniana, levar à tração e rotura. A partir dai surgem os sintomas e, se não são percebidos de imediato, a turvação visual pode ser o único fator que leve o individuo ao oftalmologista.

Neste momento, provavelmente a terapia com laser já não é viável e a cirurgia é mandatória. O tempo que a retina ficou descolada do seu leito, alem da localização do DR são fatores preditivos da visão final do paciente. Se a lesão é mais periférica e/ou o tempo de descolamento é mais curto, a probabilidade de restauração funcional boa (alem da recuperação anatômica, claro) é maior!

A avaliação da retina periférica (para estratificação de risco de cada individuo em relação ao DR) deve ser feita pelo menos a primeira vez após os 35-40 anos, caso não exista historia familiar de DR. Em altos míopes esta avaliação deve ser bem mais precoce!

Quanto às lentes de contato, não há contra-indicação formal para o seu uso. Apenas lembrar que se a retina for muito friável, se existirem degenerações de risco que devam ser acompanhadas de perto, o menor trauma deve ser evitado. Não coçar os olhos e evitar situações de risco como prática de esportes com bola e outros.

Isso no olho não operado (que deverá ser avaliado quanto a presença de degenerações de risco para DR). O olho operado (DR) pode ter tido alguns parâmetros anatômicos e fisiológicos (pálpebra e superfície ocular) alterados (por conta da cirurgia) e em consequencia,o conforto da LC pode não ser mais o mesmo.

Caso isso ocorra o uso das lentes deve ser limitado a situações especiais.

Leia mais a respeito de prevenção do descolamento de retina em http://www.elizabethnavarrete.com

Moscas volantes em crianças…

Este post foi escrito em esclarecimento a uma internauta. Vou ao longo do texto pontuando (sem negrito) algumas observações.

“Minha filha tem 13 anos de idade. Sempre consultou oftalmologista, desde pequena, uma vez por ano. Usa óculos (0,25) “para descanso”. Há dois meses está vendo moscas volantes e “cobrinhas transparentes“.
Causas importantes e que necessitam tratamento imediato e/ou outro tipo de intervenção já foram descartadas através do mapeamento, da US e da angiofluoresceinografia que não mostraram qualquer processo inflamatório-infeccioso.

Achei teu blog, em uma das minhas mil pesquisas à internet sobre o assunto. Estou muito preocupada, com medo de que isso nunca mais vá sumir ou que piore..
O descolamento do vítreo anterior e/ou posterior,a liquefação e/ou sinerese vítrea não são reversíveis.No máximo os sinais e sintomas podem ser minimizados através conduta cirúrgica que eu não me atreveria a indicar.Pelo menos não neste contexto atual.

Ela já consultou três oftalmologistas. Foi agendada uma angiografia para descartar qualquer possibilidade de algo “errado”. Já dilatou a pupila duas vezes e nada apareceu de descolamento e/ou ruptura da retina. Não houve nenhum episodio diferente que pudesse justificar o sintoma.

Sempre existe um antecedente.Apenas não somos capazes de lembrar ate por se tratar na maioria das vezes de situações cotidianas comuns (uma gripe, um resfriado seguido de uma vitreite discreta e pouco ou nada sintomática, mas que meses depois após cavitação intensa do vítreo seguida de descolamento -na maioria das vezes- levam aos sintomas).

Sempre ao entardecer melhora. O que também acontece em ambientes com luz indireta, artificial, ao contrario da luz natural (claridade da rua).
Este fato é referencia comum em relação às moscas volantes e os vários outros tipos de floaters ou fibrilas de vítreo condensado.Eu mesma prefiro ambientes mais escuros e por algum tempo mantive (após DPV agudo) o consultório na penumbra e evitei fazer atendimentos pela manhã.

Durante quase dois meses se queixava, ficava irritada, nervosa, mas ia levando, aparentemente, bem. Com o reinício das aulas piorou. O médico diz que é a concentração na figura do professor, no quadro, na folha de papel… Ela adora ler, mas enxerga as moscas “voando” na frente do texto.

Além do estresse do convívio social escolar e da relação professor-aluno, se ela estudar no turno da manhã os sintomas estarão intensificados.

Não sei se é importante, mas ela iniciou uso de anticoncepcional (por indicação médica e em caráter experimental) há três meses. SOP (sindrome dos ovários policísticos)? Vem utilizando também antiinflamatório (Feldene) para as cólicas menstruais que são muito intensas. Insisti tanto, que o médico vai solicitar um exame de toxoplasmose, embora Ele já tenha dito que não existe indicação para tal.

Mesmo que ela seja positiva para toxolasmose (IGG e não IGM) não significa que ela tenha tido manifestação oftalmológica (que é bem clássica e deixa cicatriz corioretiniana) e portanto não existe nenhuma indicação de tratamento. Um indivíduo soropositivo para toxoplamose (boa parcela da nossa população) pode nunca ter manifestação de doença oftalmológica. Além disso, o tratamento consiste em matar o parasita quando ele está na livre na corrente sanguinea e oferece risco;mas quando encistado (forma de vida durante quase todo o tempo em que ele habita o nosso corpo, numa espécie de simbiose conosco), não há o que fazer. É como o virus HVZ (varicela zoster) que quando somos crianças é responsavel por uma das doenças infantis comuns – a varicela ou catapora. Depois passa a viver dentro de algumas das nossas células e quando idosos ou com diminuição importante da nossa imunidade ele virus torna a causar doença e ressurge sob a forma de um episodio de Herpes Zoster facial ou intercostal ou outra apresentação menos comum”.

Não se angustie… de nada adianta. Temos que aprender a ajudar nossos filhos a vivenciar da melhor forma os problemas que sempre podem existir e que costumam ser mais comuns ou mais percebidos como incomodo importante naquelas pessoas mais “sensíveis”, mais ansiosas, mais angustiadas, menos bem resolvidos emocionalmente. É um caminho longo e árduo… mas que na maioria das vezes independe de um remédio milagroso e sim de aprendizado longo e necessário. A causa orgânica neste momento da vida dela é o menos importante. Creio que ela precisa saber como evitar ou minimizar os sintomas. E saber também que os sintomas (moscas volantes) não estarão sempre presentes. Melhoram com o tempo, com certeza!

Nós mães ansiamos por evitar os males e sofrimentos dos seus filhos, mas depois aprendemos que o melhor é ensiná-los a conviver com eles, se eles já estão presentes. E num segundo momento ensiná-los a buscar uma vida mais saudável. É o que podemos fazer para minimizar eventos futuros que se somam aos já existentes e levam a uma qualidade de vida pior.

Abraços,

Elizabeth

As moscas volantes e os clarões me causam pânico…não consigo ter uma vida normal!

“Desde criança vejo “moscas volantes”, mas de uns dois anos pra cá elas aumentaram muito em numero, e isso ocorre em ambos os olhos! No momento estou muito nervosa, porque vejo clarões nos cantos dos olhos quando aperto o meu globo ocular, ou quando abaixo a cabeça. O ultimo exame oftalmológico que fiz foi ha um ano, e o medico realizou um mapeamento de retina, no qual não foi constatado nada!
Não consigo ter uma vida normal, pois essas sensações me causam enorme pânico!”

Você deve ter lido (se não o fez eu recomendo que leia) os outros posts sobre moscas volantes e flashes no meu outro blog

No consultório, nós oftalmologistas talvez não tenhamos a dimensão exata das dúvidas a respeito e do desconforto e apreensão que causam as moscas volantes e os flashes no publico leigo! As estatísticas do blog mostram que nos vários mecanismos de busca (internet) foram usadas as palavras “moscas volantes” “manchas na visão” e “flashes” ou “clarões” ou “raios luminosos” para pesquisar as queixas mais comuns referentes aos olhos!

Então você e eu não estamos sozinhas! Uma imensidão de pessoas sofre do mesmo mal…

O que as distingue é a informação (que acalma), o controle da ansiedade (nem sempre fácil) e a segurança de um bom acompanhamento por retinólogo com quem desenvolva uma excelente relação profissional (ajuda muito!).

Como disse num comentário a outra internauta:

“Os flashes significam tração retiniana. O DPV parcial pode significar em algumas pessoas tração intermitente. A tração desacompanhada de rotura retiniana ou degeneração periférica retiniana de risco para o descolamento de retina(DR) tem um valor preditivo de desfecho negativo (DR) muito baixo para preocupar você. Até porque não há nada a ser feito além da monitorização através de mapeamentos de retina periódicos. E de preferência por retinologo com quem você mantenha uma relação médico-paciente de excelente qualidade, que permita maior credibilidade da sua parte. A confiança é fator fundamental no tratamento seja qual for a especialidade médica.

Quanto às moscas volantes e o aprendizado cerebral em relação a elas…sei que pode ser muito difícil! Um dos posts no blog citado acima é um relato pessoal da dificuldade em conviver com o resultado de um DPV parcial. Mas, novamente, aqui também não há muito a ser feito (infelizmente). A convivência mais dia ou menos dia terá que ser menos dolorosa e incômoda porque como se diz… ”faz parte!”. Pense que “poderia ser pior!”

Se ainda tiver dúvidas estou à sua disposição.

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