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Dúvidas em Oftalmologia

conversando com o oftalmologista…

Categoria

refração

A escolha das LIOs (lentes intra-oculares) na cirurgia de catarata

“Eu necessito me programar financeiramente para operação de catarata. A minha pergunta é: Qual a diferença entre as lentes importadas e as nacionais que acredito serem mais em conta. Me informe por favor”.

Alguns internautas perguntam sobre diferenças entre as LIOs (lentes intra-oculares) importadas e as nacionais, muitos questionando a diferença de preço, qualidade e melhor relação custo-benefício quanto à visão final. Eu realmente penso que a decisão sobre a LIO a ser implantada deve ser pensada a dois:  paciente e cirurgião. Dúvidas a respeito das lentes (e soluções visuais possíveis) devem ser exaustivamente discutidas e a experiencia do cirurgião com determinadas lentes também (isso facilita o implante e reduz o tempo de cirurgia, o que também acaba favorecendo o resultado final da cirurgia).

Quanto às diferenças de tipos de lentes, transcrevo aqui texto do Dr Armando Crema na revista digital do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) destinada ao público leigo e disponível na integra em http://www.cbo.com.br/novo/geral/pdf/revista-03.pdf

“As lentes intraoculares (LIOs) são classificadas em monofocais – corrigem apenas um foco, de perto ou de longe – e multifocais – corrigem a visão de perto, intermediária e de longe. As lentes tóricas – mono ou multifocais – corrigem também o astigmatismo.

E existem ainda as lentes pseudoacomodativas. Todas essas LIOs podem ser introduzidas por microincisões de 2 mm, diminuindo a incidência de complicações pré e pós-operatórias. Melhoram a visão já no curto prazo, fazendo com que os pacientes tenham melhor quantidade e qualidade de visão, explica Dr. Armando Crema”.

 

Seguem links de páginas (internet) destinadas a leigos.

 

http://esteticaplus.blogspot.com.br/2012/08/lente-intra-ocular-na-cirurgia-de.html

No site acima foi resumida a questão das LIOs (lentes intra-oculares) em que 3 pontos principais que devem ser levados em consideração. Apesar de concisa, a matéria é bem prática e esclarece dúvidas.

Penso que o indivíduo deve ser bastante transparente com o médico que escolheu para operá-lo e dividir angustias, dificuldades e expectativas em relação à cirurgia. Tão ou mais importante que a LIO a ser implantada é a expertise e a confiança no cirurgião.

 

Outras referências do Google:

 

http://visarehospitaldeolhos.com.br/tratamento-de-doencas-oculares/lentes-intraoculares/

http://www.doctoralia.com.br/provamedica/facectomia+para+implante+de+lente+intraocular-15157/pergunta/qual-a-diferencada-lente-nacional-para-a-lente-internacional-para-facectomia-52074

 

E a entrevista de um oftalmologista num site para leigos…muito interessante do ponto de vista prático: http://www.marisadelucia.com.br/notas.asp?iDCat=20&iDTxt=2562

 

E a respeito do posicionamento oficial sobre planos de saúde e LIOs, o link é  http://www.jotazerodigital.com.br/cbo-e-abccr-emitem-documento-sobre-lentes-intraoculares-na-saude-suplementar.php

 

Espero que as referencias postadas possam ajudar a esclarecer as dúvidas de muitos!

 

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Visão embaçada e exame oftalmológico “normal”. O que fazer?

“Há um mês eu tive uma perda de visão repentina; meu olho ficou meio que descontrolado, não conseguia focar a visão. Ela voltou ao normal, porém desde então tem ficado embaçada e ruim. Eu fui ao oftalmologista e ele disse que está tudo certo.

Mas estou preocupado!

Já uso óculos e o mesmo está em dia!”

Comentário:

Se o oftalmologista não encontrou evidencia de qualquer alteração ocular (ao exame), sugiro que durante um intervalo de tempo avalie sua sintomatologia (dados novos, mais precisão na queixa visual,relação da dificuldade visual com a hora do dia e/ou atividade executada, p.ex.) e retorne à consulta.

Muitas vezes a queixa imprecisa (dado subjetivo) não indica ao medico a possível origem do problema. Não significa que ele não exista, apenas ainda não se tornou visível ao exame. Por exemplo, uma opacidade cristaliniana muito incipiente que gera alteração no contraste e com isso o paciente se queixa de que não está vendo como antes… tem algo errado…mas o medico não visualiza a alteração antes dela se tornar um pouco mais densa. Ainda assim ela pode não alterar a quantidade de visão (acuidade visual que se mede no consultório), mas é responsável pela queixa de piora na qualidade visual.

Porem, como você disse que “perdeu a visão de repente”, isso pode significar alteração súbita na acomodação (uso de algum fármaco ou apenas estresse importante e pontual), enxaqueca ou migranea retiniana, alteração nervo óptico (quando ela é posterior em sua localização ,o médico não vê nenhuma alteração no fundo do olho) ou mesmo uma isquemia transitória (AIT).

Como você diz que a visão “voltou ao normal” mas “tem ficado embaçada”, talvez a alteração acomodativa deva ser melhor investigada (se você está fazendo vestibular, mestrado ,doutorado ou estudando para algum concurso, essa disfunção acomodativa não é incomum).

Como você viu, são várias as possibilidades e o tempo e a mudança na característica dos sintomas pode ser vital para um diagnóstico preciso. Mas o lado bom é que não deve ser nada que exija intervenção precoce,uma vez que o exame oftalmológico não se mostrou alterado na primeira visita após o ocorrido. As mudanças orgânicas são dinâmicas; o médico precisa de vários momentos diferentes da doença para ser mais assertivo. A Medicina depende de sintomas e sinais para que os diagnósticos sejam feitos.

Imagine uma criança com febre 38ºC há menos de 24 horas e mal estar geral. A doença pode ser uma meningite, sarampo ou qualquer outra virose comum da infância. Uma historia de possível contágio, outros membros da família doentes pode ajudar. Mas somente o acompanhamento da criança pode levar ao diagnostico de certeza! Os novos sintomas que surgirão darão a “pista” e o que se pode fazer no momento é aguardar esses sintomas, observar de perto a criança e controlar a febre. O tratamento precoce “às cegas” muitas vezes modifica negativamente o desfecho da doença.

É fato também que às vezes o medico não tem esse tempo! Se o paciente está muito mal, descompensado corre perigo de vida, é obvio que será medicado (por suposição ou definição de causa mais provável) e depois, mais à frente, as correções diagnosticas e terapêuticas serão feitas.

Entendeu?

Minha sugestão é que volte ao oftalmologista com as queixas atuais e converse com ele sobre a sua preocupação. Ninguem melhor do que ele para rever o seu quadro e avaliar as possibilidades diagnosticas.Ele fez o primeiro exame e saberá encontrar modificações do aspecto inicial em relação ao quadro clínico atual.Além disso o reexame dará a você mais confiança, alem de permitir uma decisão terapêutica acertada caso se verifique alguma modificação dos achados oftalmológicos anteriores.

Toda (e qualquer) queixa deve ser investigada,sempre!

Melhor pecar pelo excesso do que pela falta, não é o que diz o ditado?

Abs,

duvidasemoftalmologia@gmail.com

A cirurgia da miopia pode piorar o estrabismo?

A cirurgia refrativa está contra-indicada em caso de estrabismo pré-existente?

“Estou querendo fazer uma cirurgia para correção da visão (cirurgia refrativa).
Fui ao oftalmologista do SUS onde realizei alguns exames; a oftalmologista me deu a resposta na mesma hora dizendo que havia um desvio no meu olho esquerdo e que se fizesse a cirurgia o desvio poderia aumentar, portanto não seria aconselhável operar.
Quis uma segunda opinião, fui ao oftalmologista do meu plano de saude, realizei todos os exames e fui orientada a realizar a cirurgia. O médico não me alertou sobre o risco que a outra oftalmologista sugeriu. Nem mesmo após eu ter questionado a respeito. Tem sido sempre evasivo.
Minha dúvida é a seguinte, existe o risco de este desvio aumentar após a cirurgia? Mesmo em se tratando de um desvio pequeno (para fora) no olho esquerdo?”

O estrabismo divergente latente ( exoforia, quando só se detecta ao exame oftalmológico) ou manifesto (aquele que o leigo percebe) fica esteticamente mais compensado com o uso dos óculos,quando o individuo é míope. Isso se dá por conta de um “efeito prismático” das lentes corretoras negativas (usadas pelos míopes) que funciona a favor nesses casos e diminui o “angulo” do estrabismo.

Em outras palavras, os óculos do míope que tem estrabismo divergente “ajudam a diminuir”o desvio dos olhos.Tanto que quando esse mesmo individuo usa lentes de contato o desvio fica mais evidente (por que as lentes negativas dos óculos -que ficam a uma distancia de 12mm dos olhos- “criam” esse efeito prismatico e as lentes de contato não, pois a distancia entre a correção (lente negativa) e a cornea é praticamente zero!

A disfunção motora (estrabismo latente ou manifesto) não é contra-indicação formal (absoluta) em relação à cirurgia refrativa. Mas,mesmo se tratando de contra-indicação relativa, você deve ser avaliada criteriosamente e orientada em relação a todos os prós e contras relacionados ao procedimento cirúrgico em seu caso.

Antes de optar pela cirurgia seria interessante você fazer uma avaliação ortóptica para mensurar o desvio e avaliar a qualidade da sua visão binocular e, se você e seu médico se decidirem pela cirurgia, o reforço da musculatura, a melhora da cooperação binocular são ajustes desejáveis para dar suporte ao maior trabalho que seus músculos terão quando não for mais necessário uso de lentes negativas para corrigir a visão.

Faça isso antes da cirurgia para tentar evitar surpresas desagradáveis no pós operatório imediato e/ou tardio.Consulte mais de um oftalmologista (cirurgião refrativo) se necessário. Cada profissional tem uma experiência diferente de uma mesma situação e cada caso é um caso.

E tenha a certeza de ter todas as suas dúvidas dirimidas antes de se decidir pela correção cirúrgica. Uma relação médico-paciente bem construída é o primeiro passo para o sucesso terapêutico!

Cirurgia refrativa, visão 20/20 e baixa qualidade visual

“Fui submetido a ceratotomia radial cerca de 20 anos atrás. O resultado imediato foi excelente,e hoje em dia posso dizer que durante o dia tenho uma visão perfeita. Durante a noite ou em ambientes pouco iluminados, vejo alguns halos ou fantasmas em volta de luzes. Não chega a ser algo que me impeça de dirigir a noite, ou ir ao cinema, porém as vezes incomoda.

Consultei vários médicos e não consegui ainda obter uma resposta se existe ou não correção pra este problema.Alguns dizem não ter nada a fazer, enquanto outros dizem já ter corrigido vários outros com o mesmo problema que eu.

Existe algo que funcione no meu caso?

Lentes esclerais podem resolver? O Wavefront funciona nestes casos?”

Em condições em que a pupila está mais dilatada (à noite e em locais pouco iluminados), as aberrações corneanas causam sintomas desagradáveis. Após a cirurgia refrativa, mesmo bem sucedida quantitativamente, isto é, com acuidade visual final 20/20 (100%),a qualidade visual baixa pode ser resultado da percepção de halos ao redor de luzes ou imagens fantasmas devido às aberrações de alta ordem consequentes ou hiperdimensionadas pela cirurgia.

O wavefront avalia as imperfeições individuais da córnea (aberrações de baixa, média e alta ordens). Em outras palavras o wavefront faz aberrometria. Deve-se então quantificar e qualificar (caracterizar)adequadamente essas aberrações antes de pensar em fazer nova cirurgia refrativa, numa abordagem mais individualizada.

No caso da ceratotomia radial, se o diâmetro da pupila é maior que a média em condições de iluminação ambiente, no escuro ela aumenta e as cicatrizes radiais da cirurgia modificam a qualidade de visão de imagens iluminadas (halos e fantasmas).

Então, como você viu, não apenas o tipo de cirurgia refrativa,o grau a ser corrigido, mas o diâmetro da pupila e as alterações topográficas corneanas são variáveis a se levar em conta na correção cirúrgica das ametropias (aberrações de baixa ordem).

Não existe proposta terapeutica ideal: desde alterações artificiais do diametro pupilar na ceratotomia radial(medicamentos),o uso de filtro amarelo (que aumentam a sensibilidade ao contraste à noite)nas cirurgias a laser, as lentes de contato pós-cirurgia (em ambas situações)ou mesmo as lentes com diametro pupilar fixo (cosmeticas) no caso das ceratotomias. Varia caso a caso.

Há necessidade de avaliação topografica de excelente qualidade,indicando com precisão as aberrações presentes, alem de avaliação da superficie ocular e do filme lacrimal. Aí então se decide por tentar intervir cirurgicamente ou por proposta menos invasiva para tentar solucionar a queixa do individuo.

Converse novamente com o medico oftalmologista, exponha as suas dúvidas e tenho certeza de que vocês decidirão a forma de intervir mais acertada para melhorar a qualidade da sua visão!

Espero ter ajudado!

Prescrição para óculos e lentes de contato: diferentes?

“Tenho miopia e comecei a usar óculos com 12 anos de idade (-0,5 dioptrias em cada olho), e por volta dos 16 anos (-3,75 em cada olho) mudei para lentes de contato. Atualmente tenho 21 anos e -5,25 dioptrias em cada olho. No entanto, recentemente deparei-me com um grande problema: as minhas lentes de contato foram descontinuadas e apesar de ter ido à consulta e o oftalmologista me ter dado várias marcas de lentes para experimentar não me adaptei a nenhuma.Daí que penso em voltar a usar óculos. O problema é que na minha última consulta (à cerca de duas semanas) não pedi a receita para os óculos, não sabendo agora quais os parâmetros a indicar numa ótica. Tenho uma receita de 2010, quando ainda só tinha -4,5 dioptrias em lentes de contato, e na époce foi prescrita receita para óculos com os seguintes parâmetros:
Olho direito:
Esferico (dioptrias): -4,75
Cilindro (dioptrias) -0,25
Eixo: 180º

Olho esquerdo:
Esferico (dioptrias): -4,75
Cilindro (dioptrias) -0,25
Eixo: 10º

A minha questão é: tendo eu atualmente -5,25 dioptrias receitadas para lentes de contato, os parâmetros para óculos serão os mesmos que os anteriores, apenas alterando o valor “esférico” para -5,5 dioptrias?”

A diferença de -0.75 dioptrias entre a prescrição para LC anterior (2012) e a nova (2012) não autoriza aplicar a mesma diferença em relação à receita para óculos anterior (2010). A prescrição de óculos antiga faz referencia a componente cilíndrico que não sabemos se foi alterado nesta nova avaliação oftalmológica.
A cópia da receita (fax,email,sms) é sempre possível, sem necessidade de nova avaliação, uma vez que o exame foi realizado há 1 mês apenas e você não refere nenhum fator de possível flutuação da refração, como o diabetes mellitus p.ex.

Por outro lado, se você foi a uma consulta de rotina e não levou nenhuma queixa (dor de cabeça, dificuldade visual) provavelmente a diferença refracional não é fonte de sintoma e o astigmatismo não deve ser importante.

De qualquer forma sugiro que obtenha copia da receita para sua própria segurança em relação ao custo das novas lentes dos óculos. Além disso verifique o nome das lentes de contato que estavam em uso (e você diz que foram descontinuadas) e avalie com seu oftalmologista a possibilidade de tentar encontrar lentes de outro fabricante similares às que você usava. Fatores a considerar: polímero das lentes (tipo de material), diâmetro e curva base das lentes, além do grau de hidratação e DK (quanto maior este coeficiente, mais elevada é a permeabilidade da lente ao oxigênio e maior a qualidade da adaptação).

Monovisão com lentes intra-oculares: não deu certo…e agora?

“Aos 25 anos, fiz a cirurgia para correção de miopia com cortes (antes do laser). Fiquei 20 anos com visão perfeita. Aos 45 iniciou o processo de vista cansada e um pouco de miopia. Passei a usar óculos multifocais. Agora, aos 53 anos foi detectado catarata. Então optei por lentes intraoculares (com a retirada do cristalino) no processo monovisão. Como tenho um pouco de astigmatismo, não ficou perfeita a cirurgia. Acontece que pela manhã ou enquanto estou na luz natural, a minha visão para longe e para perto ficam boas, mas quando chega a noite e quando tenho que trabalhar em ambiente fechado no computador, minha visão fica horrível. Pedi então para o médico me passar lentes multifocais para uso a noite ou diante do computador. O resultado é que quando olho para um objeto quadrado ou retangular, o lado esquerdo aparece maior que o lado direito. Não fica linear.
Qual seria a maneira de corrigir este problema? Se eu fizer correção a laser do astigmatismo, pode melhorar? A cirurgia que fiz com lentes intraoculares, tem como ser desfeita?”

Apesar de não ter todos os dados que gostaria para opinar de forma mais assertiva, vou raciocinar com o que você relatou.

Você fez cirurgia de catarata (!?) e optou pela técnica da monovisão (lentes intraoculares para longe num dos olhos e perto no outro) para correção refracional.

O uso da monovisão requer aprendizado neuronal (neuro-adaptação). O ideal é fazer testes com lentes de contato antes de um procedimento definitivo como o implante de LIO (lente intra-ocular). A dificuldade que você relata provavelmente se deve à monovisão,sim. Com luz natural, a qualidade da visão é melhor. Assim como quando a catarata ainda não necessita cirurgia (significa apenas o envelhecimento do cristalino) e a visão é melhor com luz natural do que em ambientes fechados (a não ser com luz direcionada ao objeto que se vê, como na leitura, p.ex.).

Quando usamos a monovisão e em determinadas tarefas temos mais dificuldade (dependendo da iluminação ou da maior exigência visual) o que se faz é usar lentes de visão simples (não multifocais) para correção da ametropia de cada olho para aquela determinada distancia.
Por exemplo:

Quando dirigimos à noite, em uso de lentes de contato (ou LIO, no seu caso) adaptadas em monovisão, surgirá a necessidade de utilizar óculos com lentes para permitir a visão binocular (e com isso, mais qualidade visual). No olho que está usando correção para longe não colocamos grau na lente dos óculos (ou complementamos o grau que falta, p.ex. um pequeno astigmatismo não corrigido pelas lentes de contato (ou LIO, no seu caso).No olho em uso de correção para perto, a lente dos óculos deve compensar essa correção, readaptando o olho para a visão de longe. Com isso, a visão de longe ficará (do ponto de vista de “grau”), totalmente corrigida em ambos os olhos.O resultado é uma visão bem superior,com algumas qualidades pertinentes à binocularidade (e que a monovisão não permite).

O mesmo acontece para o trabalho no computador. A diferença entre os óculos multifocais e os óculos de visão simples para a correção da descompensação relativa à monovisão é que a tecnologia multifocal, por si só já cria dificuldade de fusão de imagens. Na construção das lentes multifocais são criados prismas ou efeitos prismáticos, alem de aberrações óticas, que podem atrapalhar mais ainda a fusão das imagens e reduzir o conforto da visão de perto ou ainda intermediária (computador). Os óculos multifocais ajudam bastante, mas têm indicações pontuais. Não implicam em qualidade em toda e qualquer circunstancia de uso da visão.

A referência a tamanhos diferentes de imagens (aniseiconia) se deve à diferença de graus entre os dois olhos. Antes o cérebro não precisava lidar com essa dificuldade. Além disso, ela fica superdimensionada pelos multifocais. Talvez óculos apenas para usar no computador possam ser mais adequados à sua necessidade atual. Ou os óculos multifocais foram inadequadamente montados criando aberrações que podem corrigidas. Nesse caso você deve conversar com seu oftalmologista, que deverá encaminhá-lo à consultoria do fabricante das lentes multifocais que você está usando, para que seja reavaliada a montagem, na tentativa de melhorar seu conforto.

Quanto a uma nova cirurgia, as queixas referidas não me parecem se dever ao astigmatismo e, portanto não seria a primeira opção para resolver o problema. A não ser que seja um astigmatismo importante.Mas, não conheço os detalhes. E quanto à sua pergunta a respeito das LIOs implantadas, sim é possível explantar a LIO de perto e fazer implante secundário neste olho de uma lente visão simples para longe. A possibilidade existe, mas não deve ser sua primeira opção. Não acredito que um cirurgião de segmento anterior sugira o procedimento sem antes tentar resolver suas queixas clinicamente.

Não existe intervenção cirúrgica sem risco. E você já se submeteu a várias. Pense a respeito. Alem disso, após a facectomia a monitorização vitreo-retiniana é interessante pelas intercorrencias possíveis em relação ao polo posterior do olho, no longo prazo. A reoperação aumenta o risco de incidência de complicação futura.

Converse com o seu médico. E se o oftalmologista que sempre o acompanhou, não for o médico que o operou, volte a ele com as queixas atuais. Ele poderá ajudá-lo! A percepção do clinico é um pouco diferente em relação à do cirurgião. A experiência é baseada na vivencia diária, que nesse caso não é a mesma. O clinico completa o cirurgião e vice-versa.

Se o grau é pequeno…sou míope ou estou míope?

“Há duas semanas estou usando óculos. Uso 0.5D para longe; porém, quando estou sem óculos minha visão fica embaçada “direto”. O que pode ser isso?”

Você não especificou, mas deduzo que esteja usando lentes negativas, para miopia.

Faltam dados para eu responder de forma mais assertiva a você! Para começar, não sei a sua idade! Quando jovens, em algum momento nos queixamos da visão de longe: ou porque ficamos muito próximos da tela do computador, por muito tempo, ou porque usamos muito celular, ipad, ipod e outros “gadgets” que implicam numa proximidade excessiva (negativa) dos olhos em relação ao que se vê. Em outras palavras,quando olhamos muito perto, por tempo prolongado, a distancia focal bastante reduzida não é bem tolerada por muito tempo, pelos nossos olhos, sem que surjam sintomas como embaçamento visual para longe ou dores de cabeça.

Nas miopias leves (baixo grau) os olhos são capazes de “resolver” nossas necessidades a maior parte do tempo exceto quando assistimos aulas com recursos visuais que exigem visão para longe bem corrigida ou ainda quando dirigimos à noite! Nesse caso, podemos usar a correção apenas nessas situações. Do contrário, acostumamos os olhos a ver com o recurso ótico de tal forma que, quando estamos sem óculos a visão não é tão satisfatória como era antes de usarmos a correção ótica “full time”! Alguns podem dizer que esse é o modo incorreto de ver a situação…o que acontece é que depois de nos acostumarmos a ver com nitidez, qualquer embaçamento é mal tolerado. Mas se podemos viver (bem), sem sermos escravos (ainda) dos óculos,por que não retardar essa dependência?

Outra possibilidade é verificar se você realmente é míope ou se apenas está míope por contingência do mau uso da distancia focal no ambiente de trabalho (monitores muito próximos dos olhos, sem intervalos regulares de alternância de distancia focal – olhar par longe fixando um ponto para relaxar a “acomodação” visual…). Nas tarefas discriminativas visuais de perto, em condições de esforço constante e ininterrupto, o olho pode funcionar como na miopia e depois de um tempo o individuo passa a ter dificuldades na visão de longe.

Se quiser saber mais sobre isso leia a respeito no post “Estamos cada vez mais míopes?” em
www.elizabethnavarrete.com

Calázios de repetição e conjuntivite unilateral crônica…

Comentário de uma internauta:

“Fui diagnosticada com conjuntivite em um olho há alguns anos. Soma-se a esse fato, a presença de pequenos calázios em ambos os olhos. Após mais de 5 anos, consultas em vários médicos diferentes e uso de Tobradex, continuo com a conjuntivite, que volta a me incomodar periodicamente com uma ligeira vermelhidão e incômodo. Me sinto desacreditada em relação aos oftalmologistas que consultei, pois nenhum deles parece compreender a persistência do problema e o incômodo gerado por ele. Gostaria de saber como uma conjuntivite pode durar tanto e se existe algum tratamento que poderia ser mais eficaz. Além disso, também gostaria de saber se existe relação entre os calázios e a conjuntivite. Não sei mais o que fazer, me sinto frustrada!”

Calázios de repetição podem estar relacionados a blefarites crônicas em pacientes seborreicos (pele e cabelos oleosos, acneicos na adolescência) ou quando crianças com quadros de impetigo. Os indivíduos alérgicos (principalmente a antígenos bacterianos) melhoram com a dessensibilização (consultar alergo-imunologista). Algumas vezes quando nada melhora, ao se corrigirem defeitos de refração (astigmatismo/ hipermetropia) pequenos e muitas vezes assintomáticos, sobrevém um período longo de remissão dos calázios.

Quanto à conjuntivite unilateral de repetição você deve ser reavaliada, durante a próxima crise, inclusive, se possível, com citologia conjuntival, bacterioscopia e cultura da secreção conjuntival (se houver). Às vezes alguns testes plasmáticos (para clamydia, herpes virus, etc) podem ajudar a identificar a causa da conjuntivite crônica unilateral atípica.

Outras vezes, a presença de mínima disfunção de vias lacrimais ou mesmo a identificação (pelo otorrinolaringologista) de alguma alteração à rinoscopia (p.ex. um pólipo nasal) pode lentificar a drenagem da lágrima através do ducto nasolacrimal ipsilateral (do mesmo lado do olho afetado). Ou mesmo quando existe algum grau de edema da mucosa nasal (gripe,resfriado ou rinite alérgica, p. ex.), no olho que já apresenta algum grau de dificuldade de drenagem da lagrima, essa retenção maior permite que a microbiota local encontre condições de proliferação mais rápida e acentuda.

Esses germes existem naturalmente em vários pontos do organismo, numa relação simbiótica com ele, sem significar (nem levar ao) adoecimento. Em condições normais existe equilíbrio (homeostasia). Quando elas, bactérias se multiplicam mais rapidamente do que o organismo consegue combatê-las, aquele olho “inflama”.

A lágrima é um excelente “caldo de cultura” para o desenvolvimento dos germes. Por isso bebês com alteração das vias lacrimais excretoras podem apresentar frequentemente secreção no canto dos olhos, mesmo quando não apresentam inflamação aguda (dacriocistite aguda), acompanhada dos sinais clínicos clássicos da doença. O lacrimejamento a vermelhidão e a secreção nessas crianças piora sempre que elas ficam gripadas.

E finalmente, tanto calázios quanto conjuntivite crônica podem ter em comum uma possível relação com baixa imunidade local (olho) e/ou sistêmica.

No próximo episódio de conjuntivite (sintomas incômodos e unilaterais), relate seu quadro detalhadamente ao médico como ela surge, qual o primeiro sintoma a incomodar (coceira, pálpebras inchadas, presença de gânglios, próximo à orelha e/ou outros). Tente estabelecer relação com outros eventos (sistêmicos) que possam estar ocorrendo paralelamente aos sintomas oculares e estará ajudando (muito) o seu médico a identificar a causa provável e assim propor a estratégia terapêutica adequada.

Converse com o seu oftalmologista! Tenho certeza de que juntos encontrarão a solução para seus sintomas oculares.

Abs,

A miopia continua aumentando com o tempo… o uso do computador é prejudicial?

“Tenho miopia (3 dioptrias) e astigmatismo.
Queria saber se é possível esses três graus reduzirem com o tempo. Uso óculos e às vezes é desconfortável. Faço consulta anual, mas a miopia sempre aumenta. Fico preocupado, pois se aumenta meio grau por ano vou atingir dez graus ràpidamente, e ainda jovem! Será que é possível esse grau diminuir? A partir de que idade? Estou com 26 anos.

Outra dúvida: fico muito tempo no computador e às vezes preciso usar o monitor com luz apagada (para não incomodar o quarto ao lado). Queria saber se isso é muito prejudicial aos olhos. Uso lubrificante ocular. Sinto às vezes minhas vistas um pouco cansadas. Isso indica que é hora de parar e descansar?

Qual a cirurgia refrativa mais indicada para meu caso?”

A miopia costuma ter um comportamento parecido com esse:

Aumenta na adolescência/adultescencia e diminui na fase adulta tardia. O aumento se deve não somente ao perfil genomico (segundo a informação genética para desenvolvimento axial daquele olho, ou seja, a miopia aumenta até que o tamanho do eixo antero-posterior daquele olho seja atingido,o que acontece geralmente entre os 22-28 anos, em média). Mas também outras influencias do tipo usar muito a visão de perto sem fazer intervalos, em que se alterna o foco de perto com o focar para longe por alguns minutos: isso pode “aumentar” a miopia, e é comum em indivíduos em fase de vestibular, ou estudo para concurso ou ainda defesa de tese (mestrão,doutorado,pós,etc.). A imersão na leitura constante e ininterrupta costuma piorar a visão de longe (embora este fato possa ser transitório e se pudéssemos ter uns óculos para esta fase e tentar retomar os anteriores, devagar, após o período de “estresse visual” poderia ser uma boa oportunidade para não aumentar cada vez mais o grau dos óculos.

A visão, como tudo no organismo, é bastante dinâmica. Conhecemos essa flutuação na visão pela experiência com o diabetes, por exemplo, que quando descompensado pode variar de forma importante o grau dos óculos e com a catarata (no inicio e durante o seu desenvolvimento gradual). O uso de antidepressivos, outro exemplo, piora a visão de perto, mesmo em jovens. Também devem existir muitos outros fatores que ainda não aprendemos a reconhecer, influenciando o grau final dos óculos (além das doenças oculares propriamente ditas, claro!

Se você não tem familiares com alta miopia (acima de 6 dioptrias) não se preocupe que sua miopia não aumentará indefinidamente e será muito menor do que o valor que preocupa você! Na verdade, olhe no seu entorno familiar e veja até onde ela pode ir em média e trabalhando apenas com dados estatísticos.Saiba mais sobre alta miopia em

A situação de uso inadequado da visão, ou diria melhor, a utilização do sistema visual em condições menos favoráveis, não tem o significado de piorar, aumentar o grau dos olhos ou desenvolver esta ou aquela patologia orgânica ocular. Os sintomas que podem surgir advém do piscar incompleto e da menor freqüência do piscar, do esforço acomodativo para ver perto, e também da não alternância do foco de longe e perto varias vezes ao longo da leitura (mais na tela do que no papel). Outros fatores podem contribuir para o cansaço visual no trabalho visual de perto (o termo médico usado é “astenopia”).

Consulte os links abaixo para conhecer mais sobre ergo-oftalmologia:

Em relação à cirurgia refrativa, para se optar por um dos procedimentos existentes e, mais ainda, para se decidir pela indicação cirúrgica (avaliar prós e contras) deve-se levar em consideração vários fatores relacionados ao próprio olho: avaliação retiniana, pressão intra-ocular, existência ou não de disfunção motora, espessura de córnea, superficie ocular(estabilidade do filme lacrimal) e topografia corneana, entre outros.

Portanto, quem pode identificar se você é um bom candidato à cirurgia refrativa e, se for,que tipo de técnica seria mais indicada no seu caso,é o oftalmologista especializado em cirurgia refrativa.

Converse com o seu oftalmologista!

Espero ter podido ajudar.

Abs,
Elizabeth

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