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Dúvidas em Oftalmologia

conversando com o oftalmologista…

Categoria

medicina preventiva

Cirurgia refrativa, visão 20/20 e baixa qualidade visual

“Fui submetido a ceratotomia radial cerca de 20 anos atrás. O resultado imediato foi excelente,e hoje em dia posso dizer que durante o dia tenho uma visão perfeita. Durante a noite ou em ambientes pouco iluminados, vejo alguns halos ou fantasmas em volta de luzes. Não chega a ser algo que me impeça de dirigir a noite, ou ir ao cinema, porém as vezes incomoda.

Consultei vários médicos e não consegui ainda obter uma resposta se existe ou não correção pra este problema.Alguns dizem não ter nada a fazer, enquanto outros dizem já ter corrigido vários outros com o mesmo problema que eu.

Existe algo que funcione no meu caso?

Lentes esclerais podem resolver? O Wavefront funciona nestes casos?”

Em condições em que a pupila está mais dilatada (à noite e em locais pouco iluminados), as aberrações corneanas causam sintomas desagradáveis. Após a cirurgia refrativa, mesmo bem sucedida quantitativamente, isto é, com acuidade visual final 20/20 (100%),a qualidade visual baixa pode ser resultado da percepção de halos ao redor de luzes ou imagens fantasmas devido às aberrações de alta ordem consequentes ou hiperdimensionadas pela cirurgia.

O wavefront avalia as imperfeições individuais da córnea (aberrações de baixa, média e alta ordens). Em outras palavras o wavefront faz aberrometria. Deve-se então quantificar e qualificar (caracterizar)adequadamente essas aberrações antes de pensar em fazer nova cirurgia refrativa, numa abordagem mais individualizada.

No caso da ceratotomia radial, se o diâmetro da pupila é maior que a média em condições de iluminação ambiente, no escuro ela aumenta e as cicatrizes radiais da cirurgia modificam a qualidade de visão de imagens iluminadas (halos e fantasmas).

Então, como você viu, não apenas o tipo de cirurgia refrativa,o grau a ser corrigido, mas o diâmetro da pupila e as alterações topográficas corneanas são variáveis a se levar em conta na correção cirúrgica das ametropias (aberrações de baixa ordem).

Não existe proposta terapeutica ideal: desde alterações artificiais do diametro pupilar na ceratotomia radial(medicamentos),o uso de filtro amarelo (que aumentam a sensibilidade ao contraste à noite)nas cirurgias a laser, as lentes de contato pós-cirurgia (em ambas situações)ou mesmo as lentes com diametro pupilar fixo (cosmeticas) no caso das ceratotomias. Varia caso a caso.

Há necessidade de avaliação topografica de excelente qualidade,indicando com precisão as aberrações presentes, alem de avaliação da superficie ocular e do filme lacrimal. Aí então se decide por tentar intervir cirurgicamente ou por proposta menos invasiva para tentar solucionar a queixa do individuo.

Converse novamente com o medico oftalmologista, exponha as suas dúvidas e tenho certeza de que vocês decidirão a forma de intervir mais acertada para melhorar a qualidade da sua visão!

Espero ter ajudado!

Prevenção em Oftalmologia…como se faz?

Uma internauta perguntou:
“Tenho um trabalho sobre medicina preventiva ocular. O que eu posso falar sobre esse assunto?”

É um prazer poder ajudá-la!

Prevenção em oftalmologia?

Falar sobre prevenção em oftalmologia é, em primeiro lugar, falar da garantia de boa qualidade visual futura, através da avaliação precoce da visão na infância, visando à prevenção da ambliopia (que é o não desenvolvimento -evitável- da acuidade visual potencial num dos olhos em decorrência de estrabismo ou outra patologia oftalmológica que não tenha sido diagnosticada antes dos seis anos de idade.

Falar da prevenção dos traumas oculares, causa importante e bem conhecida de cegueira evitável no mundo! Acidentes de trabalho, acidentes de transito e acidentes domésticos.

Falar de como a hipertensão arterial, a obesidade, a síndrome metabólica (através do aumento da resistência à insulina) e o diabetes podem interferir negativamente na qualidade visual em longo prazo.

Enfim,

Falar da prevenção das doenças crônicas degenerativas oculares como o glaucoma, algumas uveítes e a DMRI (degeneração macular relacionada à idade), que podem ter início antes da idade adulta e apresentar desfechos negativos mais precoces ou na senilidade, reduzindo a qualidade de vida dos indivíduos.

Estratégias: exames oftalmológicos de rotina, orientação a respeito de normas de segurança no trabalho e cuidados para prevenção de acidentes domésticos. Mas, principalmente em relação às doenças crônicas degenerativas, é imprescindível a conscientização da necessidade de manter estilo de vida mais saudável.

E essa conscientização deve ser feita através da construção, desde cedo, do conhecimento a respeito das doenças oculares e sua prevenção!

Alguns links:

http://www.careplus.com.br/edicao/edicao_12/prevencao.htm

http://elizabethnavarrete.com/2012/08/19/olho-e-sindrome-metabolica-prevenindo-a-deficiencia-visual-futura/
http://elizabethnavarrete.com/2010/02/25/cegueira-a-dmri-como-principal-causanos-paises-desenvolvidos/

http://elizabethnavarrete.com/2010/08/11/oftalmologiasenilidade-e-qualidade-de-vida-futura/

http://elizabethnavarrete.com/2011/08/16/voce-sabe-o-que-e-ambliopia-e-a-importancia-do-diagnostico-precoce/

http://elizabethnavarrete.com/2011/09/28/a-visao-na-catarata-na-dmri-e-no-glaucoma/

http://elizabethnavarrete.com/2011/05/10/prevencao-no-glaucoma-e-possivel/

http://elizabethnavarrete.com/2011/05/03/olho-doenca-vascular-e-inflamacao-cronica/

“Neve visual”…a habituação seria possível?

A fisiopatologia da “neve visual” ainda não foi estabelecida. Mas, em termos leigos, por ora, poderíamos dizer que os portadores dessa “sensação visual” são indivíduos cujos cérebros apresentam hiper-reatividade cortical.

O processamento visual se dá no encéfalo. Os olhos recebem a informação fotoquímica e o nervo óptico faz a conexão com os centros visuais no cérebro.Então sabemos que percepção visual é um processo de estágios múltiplos.

A percepção visual normalmente é seletiva e envolve omissão: imagens menos importantes ou que causam confusão são “ignoradas” pela “mente que vê”, ou seja, a região em que é processada a informação visual.
A seletividade da percepção depende de processos cognitivos cerebrais e estaria alterada, por exemplo, em disfunções bioquímicas do cérebro. Um exemplo seria a epilepsia foto-sensitiva, em que existe uma sensibilidade exagerada ao “flickering”, que nesse caso desencadeia uma resposta anormal à estimulação luminosa intermitente e/ou certos “padrões visuais”

O sistema nervoso autônomo controla a função autonômica (vegetativa).

A dopamina, assim como a adrenalina, é um dos transmissores que ajudam a fazer a “sintonia fina” dos níveis de atividade neural. Portanto, o TDAH ou DDA (déficit de atenção com hiperatividade), assim como a depressão, síndrome do pânico, e TAG ou transtorno da ansiedade generalizada, não são raros em indivíduos que se queixam de “neve visual”.Sabemos também que,“do ponto de vista fisiológico, no transtorno de ansiedade generalizada ocorre a ativação do sistema nervoso autônomo.Os pacientes ansiosos tendem a ter um tônus simpático aumentado, respondendo emocionalmente de forma excessiva aos estímulos ambientais e demorando mais a adaptar-se às alterações do Sistema Nervoso Autônomo em http://www.psiqweb.med.br/

Outras comorbidades possíveis (esperadas) no caso da conexão simpática (Sistema Nervoso Autonomo) ser uma das vias fisiopatológicas da “neve visual”:

A síncope vasovagal (p.ex. no indivíduo que passa mal quando vê sangue, quando se submete a punção venosa, quando vê um ferimento grande). A hiper-hidrose, distúrbios do sono (incluindo a narcolepsia), AIT (acidente isquêmico transitório), hipotensão ortostática,taquicardia de repouso,esofagite de refluxo, bexiga neurogênica, dores no peito (por estresse) e espasmos musculares ou tiques.
Ou ainda: aura migranosa persistente (PMA), desordem de percepção halucinogenica persistente (HPPD), despersonalização / desrealização, anisedade (TGA), depressão, síndrome do pânico e palinopsia ( que é a persistência anormal das pós-imagens positivas).

A neve visual parece ser mais comum em pessoas que são extremamente observadoras e hiper-reativas. Nelas também é mais frequente a percepção de fenômenos entópticos. Poderia ser avaliada então como uma variação da percepção visual normal. Mas é imprescindível que exames complementares sejam realizados para excluir causas orgânicas secundárias, como efeitos colaterais de alguns medicamentos, uso de drogas ilícitas, ou ainda neoplasia encefálica, doença desmielinizante e outras patologias neurológicas.

Descartada a causa orgânica, que uma vez tratada faria cessar a “alucinação”, uma possibilidade de lidar com o sintoma visual seria a habituação.

A habituação é um fenômeno fisiológico e a utilização dessa técnica foi sugerida e tem sido utilizada em indivíduos portadores de zumbido, como forma de minimizar o seu desconforto.

Habituação é o aprendizado de novos padrões de informação. Ela se daria a partir da redução de respostas sensoriais e se basearia na repetição de estímulos sensoriais. Essa repetição, além de promover a adaptação ao padrão individual adquirido estimularia o órgão sensorial, criando novos automatismos.
A estimulação constante do ouvido (utilizando uma frequência semelhante à do zumbido e em altura suficiente para suplantá-lo) leva após um determinado período à ausência de percepção do zumbido. Nesse caso teria sido criado um novo padrão de percepção auditiva que “filtraria” o ruído adventício (zumbido) mantendo-o num plano secundário, acessível apenas em momentos mais críticos em que esse mecanismo de bloqueio fosse inativado.

A percepção espacial de movimento depende da integração dos centros oculares e proprioceptivos (corticais superiores). A memória visual está localizada no córtex visual secundário que abriga as conexões superiores relacionadas à visão. Essas conexões poderiam ser ativadas e desativadas, conforme o estímulo. Da mesma forma que o individuo percebe estímulos visuais excessivos, não necessários ao processamento da informação visual recebida cada momento (como no caso dos fenômenos entópticos), ele pode aprender a “não vê-los”. A não tomar consciência deles.

Assim como existe a readaptação vestibular na vertigem, pode-se buscar a readaptação processual visual em relação às sensações visuais incomuns (p. ex. “visual snow”). A idéia seria, através de estímulos visuais repetitivos, provocar a habituação (das vias responsáveis pela percepção visual) aos fenômenos entópticos e sensações visuais incomuns.

Essa sugestão parece interessante e deveria ser investigada por especialistas em reabilitação. Existem técnicas (hoje cada vez mais difundidas) utilizadas no tratamento da dislexia visual (síndrome de Irlen), que é uma disfuncionalidade do processamento visual. Assim como parece ser a síndrome da “neve visual”.

E assim como hoje se reconhece a possibilidade de modificar o processamento visual na criança disléxica, será que a técnica de habituação não poderia levar à readaptação visual nos indivíduos portadores de “visual snow”?

Referencias:

Livro: “Visual Perception: a clinical orientation” 2010, Schwartz S.,McGraw-Hill Publishing Co

Links:

http://uk.answers.yahoo.com/question/index?qid=20120515144530AALtrai
http://porillion.wordpress.com/pma-visual-snow-faqs/
http://www.aber.ac.uk/media/Modules/MC10220/visindex.html

Clique para acessar o cinesioterapia31.pdf

Descolamento de retina…dúvidas,ainda!

Comentário de uma internauta:

“Via moscas há muito tempo, mas comecei a ver flashes também, o que me preocupou. Então fui e fiz mapeamento de retina e o médico disse que tenho dpv. Mas estou com medo.Quais as chances do DPV causar um descolamento de retina?Tenho rinite alérgica (espirro muito) isso pode causar um descolamento de retina(por causa dos espirros)?”

O esforço físico excessivo, o movimento de vaivém da cabeça e/ou dos olhos (como no senso comum sobre leitura em movimento),a tosse persistente e convulsiva ou mesmo crises seguidas de espirros na verdade podem sim contribuir para o DR, quando existe previamente alteração retiniana (degeneração de risco, rotura retiniana ou tração vitreo-retiniana importante).

Como todas as outras patologias em Medicina,ele (DPV) é apenas um fator de risco a mais para determinado desfecho negativo,nesse caso, o DR (descolamento de retina).Um fator isolado. Mas alguns têm, além do DPV,degenerações perifericas de risco para DR. Nesse caso somam-se dois fatores de risco: então a probabilidade é maior. Mesmo assim não significa dizer que certamente terão DR.

Nós, indivíduos,médicos ou leigos,não temos controle de tudo!Investimos na prevenção de acordo com as possibilidades e probabilidades (estatisticamente determinadas). Mas ainda assim,todos os dias nos deparamos com exceções.Devemos viver de forma saudável (exercicios, boa alimentação,estabilidade emocional,lazer eficiente),fazer exames de rotina, evitar fatores de risco conhecidos para eventuais pontos frágeis que conhecemos antecipadamente,como o DPV,neste caso…e seguir confiantes de que fizemos a nossa parte.

Havendo algum acidente de percurso, ele será resolvido da melhor forma possivel com ajuda médica.

Não fique tensa a respeito. Não vale a pena…A ansiedade e o estresse desencadeiam eventos organicos que pioram qualquer prognostico devido a indução de alterações bioquimicas (incomuns e não conhecidas em sua totalidade)que podem de alguma forma interferir em toda reação e ação organica.

Por isso se diz que o estresse piora ou é o agente responsável pela maior parte das doenças!

Um outro internauta perguntou:

“Fiz uma intervenção a lazer para eliminar alguns rasgos na retina.Atualmente só tenho moscas volantes no olho direito. E meu médico diz que é normal em pessoas com alta miopia como eu. Gostaria de saber se posso continuar a fazer exercícios de musculação? Agora que já se passaram 2 meses da intervenção.

Meu trabalho exige que faça cerca de 2h a 3h de exercício por dia. Será que o exercício físico causa descolamento do vitreo posterior?
Estou algo confuso porque um dos médicos disse que posso continuar a fazer exercício com pesos, enquanto outro médico não foi dessa opinião”.

A alta miopia é fator de risco importante para as degenerações periféricas retinianas e consequentemente exige maior cuidado em relação à prevenção do DR (descolamento de retina).O segmento posterior nos olhos miopes é anatomica e histologicamente diferente do padrão e antecipa a desorganização vitrea e o DPV. A avaliação retiniana periódica é necessária, principalmente após episódio prévio de roturas retinianas.

A alta miopia não sela o diagnóstico futuro de DR; e com certeza individuos não míopes não estão livres de ter um descolamento de retina.Mas como já disse, em Medicina o dado estatístico existe para nos ajudar a melhorar o cuidado para com o paciente e nos anteciparmos à doença.

Se sabemos da maior incidencia de DR nos altos míopes é valida a orientação no sentido de avaliações da periferia retiniana sempre e tão logo surjam sintomas e ainda (na ausência de sintomas) de acordo com a periodicidade sugerida pelo retinologo que acompanha cada caso!

Quanto ao esforço físico e às várias atividades diárias de cada um de nós, vale o bom senso. Nada de esportes radicais (que envolvam risco de trauma ocular) para os alto míopes. Fora isso, os riscos inerentes a cada situação devem ser avaliados. O exercício físico com peso, se não significar movimentação brusca da cabeça e manobra de valsalva pode ser feito.
A manobra de valsalva deve ser evitada nesses casos de risco para DR.Mas a maioria das pessoas a utiliza ao pegar bastante peso.Não é necessário, mas é quase automático o seu uso.

Descolamento de retina…dúvidas

“Fiz uma cirurgia de DR e até o ocorrido não conhecia este problema. De repente a sensação era como se tivesse um véu cobrindo a visão e fiquei praticamente sete dias sem enxergar parcialmente do olho direito. Foi então que um oftalmologista fez o diagnostico de DR, e pediu para eu procurar um cirurgião o mais rápido possível , se não perderia a visão.Acabei fazendo a cirurgia com gás. Tenho 40 anos e nunca tive nenhum sintoma. Não tenho nenhum caso na família de DR, não tenho pressão alta, diabetes, não tomo nenhum medicamento e também não sofri nenhum acidente. Como pode ter ocorrido este problema? Nenhum oftalmologista pediu que eu fizesse mapeamento de retina, antes de acontecer o DR. Agora estou em fase de recuperação mas a visão está turva. Tenho medo de não voltar a ver como antes. Sou míope de 3 dioptrias. Vou poder usar lentes de contato novamente?”

O descolamento de retina não acontece apenas em altos míopes ou indivíduos com historia familiar (DR). Qualquer um de nós pode vir a ter uma sequencia de eventos que leve ao DR. Além das degenerações de risco para DR (que podemos ter e não saber, por não serem sintomáticas), qualquer fator, inflamatório ou infeccioso,local ou sistêmico, além do trauma por si só pode desestabilizar a relação vitreo-retiniana, levar à tração e rotura. A partir dai surgem os sintomas e, se não são percebidos de imediato, a turvação visual pode ser o único fator que leve o individuo ao oftalmologista.

Neste momento, provavelmente a terapia com laser já não é viável e a cirurgia é mandatória. O tempo que a retina ficou descolada do seu leito, alem da localização do DR são fatores preditivos da visão final do paciente. Se a lesão é mais periférica e/ou o tempo de descolamento é mais curto, a probabilidade de restauração funcional boa (alem da recuperação anatômica, claro) é maior!

A avaliação da retina periférica (para estratificação de risco de cada individuo em relação ao DR) deve ser feita pelo menos a primeira vez após os 35-40 anos, caso não exista historia familiar de DR. Em altos míopes esta avaliação deve ser bem mais precoce!

Quanto às lentes de contato, não há contra-indicação formal para o seu uso. Apenas lembrar que se a retina for muito friável, se existirem degenerações de risco que devam ser acompanhadas de perto, o menor trauma deve ser evitado. Não coçar os olhos e evitar situações de risco como prática de esportes com bola e outros.

Isso no olho não operado (que deverá ser avaliado quanto a presença de degenerações de risco para DR). O olho operado (DR) pode ter tido alguns parâmetros anatômicos e fisiológicos (pálpebra e superfície ocular) alterados (por conta da cirurgia) e em consequencia,o conforto da LC pode não ser mais o mesmo.

Caso isso ocorra o uso das lentes deve ser limitado a situações especiais.

Leia mais a respeito de prevenção do descolamento de retina em http://www.elizabethnavarrete.com

Se o grau é pequeno…sou míope ou estou míope?

“Há duas semanas estou usando óculos. Uso 0.5D para longe; porém, quando estou sem óculos minha visão fica embaçada “direto”. O que pode ser isso?”

Você não especificou, mas deduzo que esteja usando lentes negativas, para miopia.

Faltam dados para eu responder de forma mais assertiva a você! Para começar, não sei a sua idade! Quando jovens, em algum momento nos queixamos da visão de longe: ou porque ficamos muito próximos da tela do computador, por muito tempo, ou porque usamos muito celular, ipad, ipod e outros “gadgets” que implicam numa proximidade excessiva (negativa) dos olhos em relação ao que se vê. Em outras palavras,quando olhamos muito perto, por tempo prolongado, a distancia focal bastante reduzida não é bem tolerada por muito tempo, pelos nossos olhos, sem que surjam sintomas como embaçamento visual para longe ou dores de cabeça.

Nas miopias leves (baixo grau) os olhos são capazes de “resolver” nossas necessidades a maior parte do tempo exceto quando assistimos aulas com recursos visuais que exigem visão para longe bem corrigida ou ainda quando dirigimos à noite! Nesse caso, podemos usar a correção apenas nessas situações. Do contrário, acostumamos os olhos a ver com o recurso ótico de tal forma que, quando estamos sem óculos a visão não é tão satisfatória como era antes de usarmos a correção ótica “full time”! Alguns podem dizer que esse é o modo incorreto de ver a situação…o que acontece é que depois de nos acostumarmos a ver com nitidez, qualquer embaçamento é mal tolerado. Mas se podemos viver (bem), sem sermos escravos (ainda) dos óculos,por que não retardar essa dependência?

Outra possibilidade é verificar se você realmente é míope ou se apenas está míope por contingência do mau uso da distancia focal no ambiente de trabalho (monitores muito próximos dos olhos, sem intervalos regulares de alternância de distancia focal – olhar par longe fixando um ponto para relaxar a “acomodação” visual…). Nas tarefas discriminativas visuais de perto, em condições de esforço constante e ininterrupto, o olho pode funcionar como na miopia e depois de um tempo o individuo passa a ter dificuldades na visão de longe.

Se quiser saber mais sobre isso leia a respeito no post “Estamos cada vez mais míopes?” em
www.elizabethnavarrete.com

Calázios de repetição e conjuntivite unilateral crônica…

Comentário de uma internauta:

“Fui diagnosticada com conjuntivite em um olho há alguns anos. Soma-se a esse fato, a presença de pequenos calázios em ambos os olhos. Após mais de 5 anos, consultas em vários médicos diferentes e uso de Tobradex, continuo com a conjuntivite, que volta a me incomodar periodicamente com uma ligeira vermelhidão e incômodo. Me sinto desacreditada em relação aos oftalmologistas que consultei, pois nenhum deles parece compreender a persistência do problema e o incômodo gerado por ele. Gostaria de saber como uma conjuntivite pode durar tanto e se existe algum tratamento que poderia ser mais eficaz. Além disso, também gostaria de saber se existe relação entre os calázios e a conjuntivite. Não sei mais o que fazer, me sinto frustrada!”

Calázios de repetição podem estar relacionados a blefarites crônicas em pacientes seborreicos (pele e cabelos oleosos, acneicos na adolescência) ou quando crianças com quadros de impetigo. Os indivíduos alérgicos (principalmente a antígenos bacterianos) melhoram com a dessensibilização (consultar alergo-imunologista). Algumas vezes quando nada melhora, ao se corrigirem defeitos de refração (astigmatismo/ hipermetropia) pequenos e muitas vezes assintomáticos, sobrevém um período longo de remissão dos calázios.

Quanto à conjuntivite unilateral de repetição você deve ser reavaliada, durante a próxima crise, inclusive, se possível, com citologia conjuntival, bacterioscopia e cultura da secreção conjuntival (se houver). Às vezes alguns testes plasmáticos (para clamydia, herpes virus, etc) podem ajudar a identificar a causa da conjuntivite crônica unilateral atípica.

Outras vezes, a presença de mínima disfunção de vias lacrimais ou mesmo a identificação (pelo otorrinolaringologista) de alguma alteração à rinoscopia (p.ex. um pólipo nasal) pode lentificar a drenagem da lágrima através do ducto nasolacrimal ipsilateral (do mesmo lado do olho afetado). Ou mesmo quando existe algum grau de edema da mucosa nasal (gripe,resfriado ou rinite alérgica, p. ex.), no olho que já apresenta algum grau de dificuldade de drenagem da lagrima, essa retenção maior permite que a microbiota local encontre condições de proliferação mais rápida e acentuda.

Esses germes existem naturalmente em vários pontos do organismo, numa relação simbiótica com ele, sem significar (nem levar ao) adoecimento. Em condições normais existe equilíbrio (homeostasia). Quando elas, bactérias se multiplicam mais rapidamente do que o organismo consegue combatê-las, aquele olho “inflama”.

A lágrima é um excelente “caldo de cultura” para o desenvolvimento dos germes. Por isso bebês com alteração das vias lacrimais excretoras podem apresentar frequentemente secreção no canto dos olhos, mesmo quando não apresentam inflamação aguda (dacriocistite aguda), acompanhada dos sinais clínicos clássicos da doença. O lacrimejamento a vermelhidão e a secreção nessas crianças piora sempre que elas ficam gripadas.

E finalmente, tanto calázios quanto conjuntivite crônica podem ter em comum uma possível relação com baixa imunidade local (olho) e/ou sistêmica.

No próximo episódio de conjuntivite (sintomas incômodos e unilaterais), relate seu quadro detalhadamente ao médico como ela surge, qual o primeiro sintoma a incomodar (coceira, pálpebras inchadas, presença de gânglios, próximo à orelha e/ou outros). Tente estabelecer relação com outros eventos (sistêmicos) que possam estar ocorrendo paralelamente aos sintomas oculares e estará ajudando (muito) o seu médico a identificar a causa provável e assim propor a estratégia terapêutica adequada.

Converse com o seu oftalmologista! Tenho certeza de que juntos encontrarão a solução para seus sintomas oculares.

Abs,

Blefarorrafia e blefaroplastia…qual a diferença?

Dúvida de um internauta:

“…Gostaria de saber se existe diferença entre as seguintes cirurgias: blefarorrafia e blefaroplastia (ambas são cirurgias das pálpebras)”.

 

A blefarorrafia pode  simplesmente ser definida como uma sutura reparadora da pálpebra, como em  http://bemfalar.com/significado/blefarorrafia.html

Ou ainda em referência à sutura das pálpebras, para diminuir a fenda palpebral. F. gr. Blepharon (pálpebra)+raphe (sutura)+ia  como definido em: http://dicionarioonline.net/dicionario-online-blefarorrafia.html

Já a blefaroplastia é um procedimento cirúrgico que consiste em reformar uma pálpebra destruída ou deformada. F. gr. Blepharon (pálpebra)+plassein (modelar) +ia .Emhttp://dicionarioonline.net/dicionario-online-blefaroplastia.html

 

Outra definição: a blefaroplastia é um procedimento cirúrgico que implica em sutura palpebral para correção de trauma ou para redução da abertura das pálpebras. E pode ser usado como sinônimo de tarsorrafia. Isso de acordo com o Dicionario Digital de Termos Médicos em www.pdamed.com.br/diciomed/pdamed_0001_03539.php

 

Ou ainda, ”…a blefaroplastia é a cirurgia para correção de deformidades das pálpebras. Geralmente são deformidades adquiridas com o envelhecimento facial, pela perda da elasticidade da pele (ritidose ou rugas); pela queda dos tecidos: pele, músculos, gordura; também podem ser anomalias do crescimento, deformidades adquiridas por traumatismo ou outras doenças”.

“…a blefaroplastia visa corrigir o excesso de pele, músculo e gordura nas pálpebras, assim como melhorar sua posição. O tratamento cirúrgico, na maioria das vezes, é feito através de cortes no sulco da pálpebra superior e na linha logo abaixo dos cílios na pálpebra inferior, com pequenas extensões laterais acompanhando rugas naturais já existentes. A pele e músculo excedentes são retirados e a gordura herniada é tratada. No final, a pele é suturada e se acomoda a nova estrutura”, conforme descrito em:

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?47

 

Segundo a Wikipédia, a blefaroplastia é uma cirurgia estética destinada a remover a pele enrugada e descaída das pálpebras superiores e/ou inferiores.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Blefaroplastia

 

Em resumo, o termo blefarorrafia se refere à sutura palpebral, (“costura” ou “fechamento, ou ainda re-união das várias camadas de tecidos que constituem a pálpebra”, seja na reconstrução anatômica da mesma, após traumatismo ou na tentativa de fechar mais a fenda palpebral -a porção entre as duas pálpebras, superior e inferior- que quando muito ampla acaba desnudando o olho, em situações de exposição excessiva do mesmo e risco de complicação corneana (ulcera de córnea p. ex.). É também uma das fases da blefaroplastia, quando depois de feitas as modificações previstas no planejamento cirúrgico, o cirurgião “fecha” o (s) corte(s) realizados durante o procedimento. Neste momento ele está executando uma blefarorrafia (sutura da pálpebra).

Mas na maioria das vezes o termo blefarorrafia é usado apenas como sinônimo de tarsorrafia, ou seja, diminuição (ou eliminação) cirúrgica da fenda palpebral. O ato de “costurar ou fechar a ferida palpebral” é referido apenas como sutura palpebral.

Abs,

 

Olho único…o que fazer quando se tem fotopsia?

 

“Tenho 29 anos e já tenho uma visão perdida por causa de um acidente. De duas semanas para cá venho tendo fotopsia no canto do olho esquerdo ( o bom).  Fui correndo ao oftalmologista e ele me disse que provavelmente eu teria um DR. Mandou eu fazer um exame de mapeamento de retina e os resultados foram: Meios transparentes : OD com opacidades vítreas e em OE meios transparente, olho fácico, sem condensações ou hemorragias vítreas.
Papila: em OD não visualizada por opacidade vítrea difusa e emOE escavação fisiológica,rima preservada , ausência de zonas alfa e beta. Vasos : Em OD não visualizados por opacidade vítrea difusa; em OE vasos de calibre normal, trajeto sem alterações dignas de nota , relação a-v mantida. Retina: OD presença de retina deslocada ?? (mal visualizada por opacidade vitrea difusa). Em OE retina aplicada nos 360graus, com textura e coloração normais, sem degenerações periféricas dignas de nota. Mácula: OD: não visualizado por opacidade vítrea difusa.Em OE brilho e reflexo compatíveis com a idade.
Conclusão: Exame compatível com a normalidade em OE e opacidade vitrea difusa em OD. O médico disse que a medicina  hoje não tem tratamento para isso, e disse que eu teria que me acostumar. E só deveria retornar se houvesse alteração do sintoma e/ou aumento da fotopsia ou ainda se a visão ficasse embaçada. Não receitou nada. Estou sentindo algumas pontadas no olho e queria saber se devo voltar à consulta”.

 

 

A fotopsia ( percepção de clarões de luz) de causa oftalmológica é resultado de tração vítreo-retiniana. O que não necessariamente significa presença de degeneração periférica retiniana de risco para descolamento de retina. Uma vez descolado o vítreo posterior, alguns pontos de tração podem se formar e ser responsáveis pela percepção de luz à movimentação dos olhos. E nem sempre a tração evolui para rotura retiniana, ou seja, há necessidade de monitorização sim, mas de acordo com novos sintomas ou com a periodicidade indicada, conforme seu oftalmologista orientou.

Eu mesma continuo tendo fotopsia apesar de ter uma rotura já tratada com laser, bem cercada e sem nenhuma outra lesão de risco para DR.

Quanto ao descolamento de retina antigo (pelo acidente), infelizmente ainda não podemos oferecer nenhuma perspectiva animadora. Como a retina é uma “extensão do tecido nervoso”, se comporta como tal: ainda não se conhece como viabilizar a neuro-regeneração. A retina,depois de algum tempo fora do seu leito natural (onde recebe nutrição/oxigenação através da coróide, bastante vascularizada), mesmo que seja reposicionada, já não apresenta vitalidade. Não funciona mais como interface de ligação entre o olho e o cérebro.

A boa noticia é que como o DR foi secundário a traumatismo e não devido a presença de degeneração retiniana de risco, o outro olho (contralateral) deve ser monitorizado sim (afinal ele vale por dois, não é mesmo?), mas não deve ser motivo de estresse crônico para você. Com ausência de degenerações periféricas no mapeamento de retina (MR), o risco de acontecer o mesmo com o olho que enxerga é bem menor do que nos indivíduos que apresentam alterações retinianas (MR) prévias.

De qualquer forma, cuide bem da sua visão. A orientação quanto à prevenção de acidentes domésticos e de trabalho deve ser rotineira, principalmente em indivíduos monoculares.

 

Abs,