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Dúvidas em Oftalmologia

conversando com o oftalmologista…

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promoção de saude

Outro comentário sobre neve visual ou “visual snow”

“Li o artigo sobre visual snow… Estou com os sintomas há umas tres semanas; iniciaram após uma crise de cefaléia com aura e não sumiram, apesar de conseguir a priori ignorar os efeitos, quando preciso ler um livro ou usar o computador a tarefa fica bem árdua… Há algo que possa fazer para que consiga essa “habituação” de que o artigo trata? Ainda, há alguma medicação que possa ser eficaz?
Fui ao oftalmologista, fiz mapeamento de retina e segundo ele não há qualquer alteração no olho, salvo a miopia que tenho há muitos anos…
Quero ir ao médico, neuro ou algo assim, mas confesso que não sei nem por onde começar a procurar um que trate essa condição, até porque há pouquíssima literatura sobre o tema. Existe tem algum ‘exercício’ que eu mesma possa fazer para buscar essa “habituação visual”?
O visual snow apresenta algum risco ou complicação além da sensação visual distorcida?
Há algum fator que possa agravar a condição?”

Como você já leu, a fisiopatologia da “neve visual” (visual snow) ainda não foi estabelecida. Em termos leigos, porém, podemos afirmar que os portadores dessa “sensação visual” são indivíduos cujos cérebros apresentam hiper-reatividade do cortex cerebral.

A percepção visual normalmente é seletiva (envolve omissão de imagens menos importantes) e a alteração dessa seletividade da percepção parece estar implicada no processo de surgimento da neve visual. Como em várias disfunções bioquímicas do cérebro, esta pode ser mais uma delas. E não há nenhum “medicamento” especifico para esse sintoma. Digo isso por que as disfunções que costumam estar presentes em indivíduos portadores de neve visual (migranea, o TDAH, a TAG -ansiedade generalizada), apesar de serem tratadas com medicamentos (também, alem de outras intervenções), ainda não são “curáveis” e nem todos respondem a uma única droga.

Seria uma variação da percepção visual normal, assim como o poder de observação acurado, o estar ligado no seu entorno nos 360º “full time” e a hiper-reatividade emocional são variantes da personalidade. E quem não sabe que sofre mais o individuo tido como mais sensível? Creio que a ciência tem mostrado que todas as nossas características individuais são mediadas pelos genes e se manifestam através de alterações bioquímicas de cada individualidade. O que a epigenética tem dito é que somos capazes de não expressar esses genes em condições especiais que dependeriam do meio ambiente (externo e interno). Isso explicaria o porquê de apenas em determinados momentos da vida surgirem os sintomas das afecções que seguramente herdamos ( por que conhecemos outros familiares com as mesmas queixas). Não apenas isso, mas explica por que alguns de nós, mesmo tendo herdado determinadas características ou doenças não as expressamos (como se diz em genética médica).

Mas não devemos esquecer que é imprescindível que exames complementares sejam realizados para excluir causas orgânicas secundárias, como efeitos colaterais de alguns medicamentos, uso de drogas ilícitas, ou ainda neoplasia encefálica, doença desmielinizante e outras patologias neurológicas. Em outras palavras, um neurologista deve ser consultado!

Uma definição de habituação psicofisiológica é o desaparecimento da resposta à estimulação habitual.
Partindo desse princípio, a habituação seria um fenômeno fisiológico que poderia minimizar o desconforto do portador de neve visual através da exposição repetitiva aos estímulos sensoriais que se deseja “anular”. Podemos inferir então que essa disfuncionalidade do processamento visual, pelo menos em teoria pode responder à habituação, assim como o zumbido pode se tornar bem menos incomodo com esse tipo de proposta de reabilitação sensorial.

Mas, infelizmente, ainda desconheço qualquer proposta de grupos ligados à readaptação sensório motora, sejam fisioterapeutas, ortoptistas e/ou oftalmologistas direcionada à readaptação visual de pacientes portadores do sintoma ”visual snow”.

Não conheço nenhum risco maior ou complicação devida ao sintoma neve visual, exceto a necessidade de afastar qualquer possibilidade de patologia encefálica que possa ser responsabilizada pelo inicio dos sintomas (apesar de incomum).

Então, o que se pode (e deve) fazer é excluir causas orgânicas de “percepção visual incomum”. Um neurologista deve ser procurado para fazer esse “screening”. Você também pergunta se existe algum ‘exercício’ possa fazer para buscar essa “habituação visual”. Se a sensação de neve visual é intermitente,eu sugeriria que observasse que situações do dia a dia precipitam esse sintoma e tentar evitá-las ou contorná-las: você cita o incomodo à leitura (papel e tela do computador); então porque não tenta usar um óculos que altera a forma habitual de percepção visual,como por exemplo os óculos conhecidos como “casa de abelha” ou “ropidol”?

Quando eu estava muito incomodada com um floatter fixo em meu campo visual após uma rotura retiniana tratada, passei muitos dias (40-60) usando meus oculos de leitura “pintados”. Explico melhor: pintei as lentes dos óculos com uma trama reticulada que evitava a percepção da “mancha” isolada,uma vez que toda a superfície estava coberta de “manchas”! Consegui bastante alivio com esse recurso: consegui até voltar a me interessar pela leitura que havia deixado de lado nos dias seguintes ao episodio vítreo-retiniano.

Foi lento o processo, a “mancha” ainda está aqui,mas na maioria das vezes (quase sempre) eu não a percebo. Ela não me incomoda a não ser quando estou mais vulnerável: quanto mais estresse, mais adrenalina, mais intensa a reação de luta ou fuga do organismo, ou seja, mais atentos ao nosso redor estamos! E é ai que aparecem novamente os nossos “passageiros indesejáveis”, aquelas sensações desagradáveis que nos acompanham sempre, exatamente por termos uma habilidade maior de percepção do entorno, além da incapacidade de “deletar” as informações secundárias, aquelas que são menos importantes na avaliação do todo, seja esse todo uma tela de TV, um pedaço de papel ou a nossa própria vida!

E não se esqueça, a troca de informações (leigos e não leigos) é importante para trazer luz a determinados tópicos pouco conhecidos. Juntos podemos entender melhor o sintoma neve visual, possíveis mecanismos de “gatilho” , como e por que surgem essas percepções e,principalmente, como melhor lidar com elas e mitigar o sofrimento que efetivamente causam em seus portadores!

duvidasemoftalmologia@gmail.com

Após tratamento da retina com o laser comecei a ver “flashes”…pode acontecer isso?

“Olá, tudo bem?
Fiz a poucos dias um tratamento a laser para prevenção de rotura retiniana. O medico falou que eu estava com uma área frágil e por isso precisou “selar” com laser, mas logo no terceiro dia (após o procedimento) comecei a sentir flashes no olho! Com piscadas muito rápidas -parece uma lâmpada fluorescente quando está para queimar. Voltei ao meu médico e ele falou que o laser demora em torno de 15 dias para cicatrizar 100% e neste período era normal eu sentir estes flashes. Ele tornou a examinar o meu olho (microscópio) e falou que estava tudo bem com a minha retina. Antes do laser eu não via estes flashes repetitivos, agora é o dia todos esses flashes! A minha visão é normal ( 100%)em ambos os olhos”.

Entendo que você esteja desconfortável e inseguro em relação aos “novos” sintomas. Relacionar (negativamente) sintomas novos a procedimentos oftalmológicos (ou qualquer outra forma de intervenção médica) é normal! E não está inteiramente errado!

Muitas vezes, ou melhor, quase sempre o médico se depara com situações em que ele sabe que se não intervir, a possibilidade de desfecho negativo é grande. Mas sabe também que a sua intervenção na evolução natural da doença pode levar a situações pouco confortáveis. Como o surgimento de novos (e diferentes) sintomas ou mesmo ao questionamento por parte do paciente a respeito do procedimento realizado. Era mesmo necessário? O que faço agora para minimizar esse novo desconforto? Não teria sido melhor ter deixado o processo evoluir, monitorizando de perto essa evolução e intervindo apenas quando fosse inevitável, como por exemplo evidencia de rotura e/ou aumento do tamanho dela ou ainda evolução para descolamento?

Para aumentar nossa assertividade, nós médicos não decidimos sozinhos o que fazer. Nós nos baseamos,de maneira geral,em algumas normas ditadaqs pelos conselhos das especialidades. Embora cada caso deva ser analisado pontualmente pelo medico (e as decisões tomadas em conjunto com o paciente que deve ser bem esclarecido a respeito da intervenção, seus benefícios e possiveis intercorrencias), nos baseamos nos “guidelines” (normas) existentes em relação às mais diversas patologias mais comuns em nosso meio. Quando são doenças mais raras, nos reportamos aos artigos publicados por outros médicos que já tiveram oportunidade de lidar com esta ou aquela outra doença incomum. A experiência deles nos ajuda a definir a melhor proposta para nosso paciente.

Essas normas às quais me referi anteriormente (guidelines) são ditadas por vários estudos realizados em diferentes centros (hospitais) , estudos esses com o mesmo “desenho”,ou seja,mesmo tipo de avaliação e objetivo, para que possam ser comparados.As conclusões desses estudos são analisadas e a conclusão é resumida através de itens a serem observados em cada paciente e melhor conduta frente a cada caso semelhante aos que foram alvo do estudo.Esse consenso é formulado por especialistas nessas patologias.

Então, em resposta à sua dúvida,os consensos em relação à patologias retinianas exibem propostas de intervenção diferentes, dependendo da estratificação de risco da degeneração / lesão retiniana observada.

Algumas degenerações exigem (segundos esses estudos) intervenção imediata, uma vez que estão relacionadas a um maior risco de descolamento de retina do que outras. Nesses casos, mesmo na ausência de visualização de rotura é mandatória a laserterapia com a intenção de impedir o desfecho negativo mais temido que seria o descolamento de retina. Enquanto que a aplicação de laser é procedimento de alguns minutos, a cirurgia do DR é muito mais demorada e interfere muito mais com a higidez do olho do que o laser. Em outras palavras, as complicações possíveis relacionadas à cirurgia são muito mais graves do que as observáveis com o procedimento preventivo (laser).Mas reconheço que a decisão é difícil e quando surgem sintomas novos após o procedimento o questionamento possa existir!

Em relação aos seus sintomas:

O laser é o estimulo que vai fazer com que o organismo responda com atividade inflamatória, que no final das contas leva à atividade cicatricial, “selando” aquela área! Essa resposta do olho à “agressão” (laser) é necessária à aceleração do processo de bloqueio da lesão,embora possa às vezes levar a modificações estruturais do corpo vítreo e alterar sua relação com a retina adjacente (e/ou subjacente). Essa modificação da interface vítreo-retiniana pode durante algum tempo ser responsável por “flashes” que acontecem toda vez que há movimento ocular, por conta de possível “tração” da retina naquele ponto. Seria, tipo um “beliscão”, que ao estimular a retina se traduz na visão de luz ou flashes de luz ou ainda raios luminosos.

A (des)organização do vítreo sofre alterações contínuas…isso significa dizer que deverá desaparecer essa sensação desagradável (e que assusta a gente,não é mesmo?). Mas o processo deve ser monitorizado. Por este motivo o retinólogo solicita o mapeamento de retina de controle (em media até 30 dias após o procedimento a laser).A avaliação da retina pode ser feita tanto com o oftalmoscópio indireto quanto através de uma lente especial usada em conjunto com o biomicroscópio.

Espero ter ajudado a esclarecer suas dúvidas!

duvidasemoftalmologia@gmail.com

A cirurgia da miopia pode piorar o estrabismo?

A cirurgia refrativa está contra-indicada em caso de estrabismo pré-existente?

“Estou querendo fazer uma cirurgia para correção da visão (cirurgia refrativa).
Fui ao oftalmologista do SUS onde realizei alguns exames; a oftalmologista me deu a resposta na mesma hora dizendo que havia um desvio no meu olho esquerdo e que se fizesse a cirurgia o desvio poderia aumentar, portanto não seria aconselhável operar.
Quis uma segunda opinião, fui ao oftalmologista do meu plano de saude, realizei todos os exames e fui orientada a realizar a cirurgia. O médico não me alertou sobre o risco que a outra oftalmologista sugeriu. Nem mesmo após eu ter questionado a respeito. Tem sido sempre evasivo.
Minha dúvida é a seguinte, existe o risco de este desvio aumentar após a cirurgia? Mesmo em se tratando de um desvio pequeno (para fora) no olho esquerdo?”

O estrabismo divergente latente ( exoforia, quando só se detecta ao exame oftalmológico) ou manifesto (aquele que o leigo percebe) fica esteticamente mais compensado com o uso dos óculos,quando o individuo é míope. Isso se dá por conta de um “efeito prismático” das lentes corretoras negativas (usadas pelos míopes) que funciona a favor nesses casos e diminui o “angulo” do estrabismo.

Em outras palavras, os óculos do míope que tem estrabismo divergente “ajudam a diminuir”o desvio dos olhos.Tanto que quando esse mesmo individuo usa lentes de contato o desvio fica mais evidente (por que as lentes negativas dos óculos -que ficam a uma distancia de 12mm dos olhos- “criam” esse efeito prismatico e as lentes de contato não, pois a distancia entre a correção (lente negativa) e a cornea é praticamente zero!

A disfunção motora (estrabismo latente ou manifesto) não é contra-indicação formal (absoluta) em relação à cirurgia refrativa. Mas,mesmo se tratando de contra-indicação relativa, você deve ser avaliada criteriosamente e orientada em relação a todos os prós e contras relacionados ao procedimento cirúrgico em seu caso.

Antes de optar pela cirurgia seria interessante você fazer uma avaliação ortóptica para mensurar o desvio e avaliar a qualidade da sua visão binocular e, se você e seu médico se decidirem pela cirurgia, o reforço da musculatura, a melhora da cooperação binocular são ajustes desejáveis para dar suporte ao maior trabalho que seus músculos terão quando não for mais necessário uso de lentes negativas para corrigir a visão.

Faça isso antes da cirurgia para tentar evitar surpresas desagradáveis no pós operatório imediato e/ou tardio.Consulte mais de um oftalmologista (cirurgião refrativo) se necessário. Cada profissional tem uma experiência diferente de uma mesma situação e cada caso é um caso.

E tenha a certeza de ter todas as suas dúvidas dirimidas antes de se decidir pela correção cirúrgica. Uma relação médico-paciente bem construída é o primeiro passo para o sucesso terapêutico!

Cirurgia refrativa, visão 20/20 e baixa qualidade visual

“Fui submetido a ceratotomia radial cerca de 20 anos atrás. O resultado imediato foi excelente,e hoje em dia posso dizer que durante o dia tenho uma visão perfeita. Durante a noite ou em ambientes pouco iluminados, vejo alguns halos ou fantasmas em volta de luzes. Não chega a ser algo que me impeça de dirigir a noite, ou ir ao cinema, porém as vezes incomoda.

Consultei vários médicos e não consegui ainda obter uma resposta se existe ou não correção pra este problema.Alguns dizem não ter nada a fazer, enquanto outros dizem já ter corrigido vários outros com o mesmo problema que eu.

Existe algo que funcione no meu caso?

Lentes esclerais podem resolver? O Wavefront funciona nestes casos?”

Em condições em que a pupila está mais dilatada (à noite e em locais pouco iluminados), as aberrações corneanas causam sintomas desagradáveis. Após a cirurgia refrativa, mesmo bem sucedida quantitativamente, isto é, com acuidade visual final 20/20 (100%),a qualidade visual baixa pode ser resultado da percepção de halos ao redor de luzes ou imagens fantasmas devido às aberrações de alta ordem consequentes ou hiperdimensionadas pela cirurgia.

O wavefront avalia as imperfeições individuais da córnea (aberrações de baixa, média e alta ordens). Em outras palavras o wavefront faz aberrometria. Deve-se então quantificar e qualificar (caracterizar)adequadamente essas aberrações antes de pensar em fazer nova cirurgia refrativa, numa abordagem mais individualizada.

No caso da ceratotomia radial, se o diâmetro da pupila é maior que a média em condições de iluminação ambiente, no escuro ela aumenta e as cicatrizes radiais da cirurgia modificam a qualidade de visão de imagens iluminadas (halos e fantasmas).

Então, como você viu, não apenas o tipo de cirurgia refrativa,o grau a ser corrigido, mas o diâmetro da pupila e as alterações topográficas corneanas são variáveis a se levar em conta na correção cirúrgica das ametropias (aberrações de baixa ordem).

Não existe proposta terapeutica ideal: desde alterações artificiais do diametro pupilar na ceratotomia radial(medicamentos),o uso de filtro amarelo (que aumentam a sensibilidade ao contraste à noite)nas cirurgias a laser, as lentes de contato pós-cirurgia (em ambas situações)ou mesmo as lentes com diametro pupilar fixo (cosmeticas) no caso das ceratotomias. Varia caso a caso.

Há necessidade de avaliação topografica de excelente qualidade,indicando com precisão as aberrações presentes, alem de avaliação da superficie ocular e do filme lacrimal. Aí então se decide por tentar intervir cirurgicamente ou por proposta menos invasiva para tentar solucionar a queixa do individuo.

Converse novamente com o medico oftalmologista, exponha as suas dúvidas e tenho certeza de que vocês decidirão a forma de intervir mais acertada para melhorar a qualidade da sua visão!

Espero ter ajudado!

Prevenção em Oftalmologia…como se faz?

Uma internauta perguntou:
“Tenho um trabalho sobre medicina preventiva ocular. O que eu posso falar sobre esse assunto?”

É um prazer poder ajudá-la!

Prevenção em oftalmologia?

Falar sobre prevenção em oftalmologia é, em primeiro lugar, falar da garantia de boa qualidade visual futura, através da avaliação precoce da visão na infância, visando à prevenção da ambliopia (que é o não desenvolvimento -evitável- da acuidade visual potencial num dos olhos em decorrência de estrabismo ou outra patologia oftalmológica que não tenha sido diagnosticada antes dos seis anos de idade.

Falar da prevenção dos traumas oculares, causa importante e bem conhecida de cegueira evitável no mundo! Acidentes de trabalho, acidentes de transito e acidentes domésticos.

Falar de como a hipertensão arterial, a obesidade, a síndrome metabólica (através do aumento da resistência à insulina) e o diabetes podem interferir negativamente na qualidade visual em longo prazo.

Enfim,

Falar da prevenção das doenças crônicas degenerativas oculares como o glaucoma, algumas uveítes e a DMRI (degeneração macular relacionada à idade), que podem ter início antes da idade adulta e apresentar desfechos negativos mais precoces ou na senilidade, reduzindo a qualidade de vida dos indivíduos.

Estratégias: exames oftalmológicos de rotina, orientação a respeito de normas de segurança no trabalho e cuidados para prevenção de acidentes domésticos. Mas, principalmente em relação às doenças crônicas degenerativas, é imprescindível a conscientização da necessidade de manter estilo de vida mais saudável.

E essa conscientização deve ser feita através da construção, desde cedo, do conhecimento a respeito das doenças oculares e sua prevenção!

Alguns links:

http://www.careplus.com.br/edicao/edicao_12/prevencao.htm

http://elizabethnavarrete.com/2012/08/19/olho-e-sindrome-metabolica-prevenindo-a-deficiencia-visual-futura/
http://elizabethnavarrete.com/2010/02/25/cegueira-a-dmri-como-principal-causanos-paises-desenvolvidos/

http://elizabethnavarrete.com/2010/08/11/oftalmologiasenilidade-e-qualidade-de-vida-futura/

http://elizabethnavarrete.com/2011/08/16/voce-sabe-o-que-e-ambliopia-e-a-importancia-do-diagnostico-precoce/

http://elizabethnavarrete.com/2011/09/28/a-visao-na-catarata-na-dmri-e-no-glaucoma/

http://elizabethnavarrete.com/2011/05/10/prevencao-no-glaucoma-e-possivel/

http://elizabethnavarrete.com/2011/05/03/olho-doenca-vascular-e-inflamacao-cronica/

“Neve visual”…a habituação seria possível?

A fisiopatologia da “neve visual” ainda não foi estabelecida. Mas, em termos leigos, por ora, poderíamos dizer que os portadores dessa “sensação visual” são indivíduos cujos cérebros apresentam hiper-reatividade cortical.

O processamento visual se dá no encéfalo. Os olhos recebem a informação fotoquímica e o nervo óptico faz a conexão com os centros visuais no cérebro.Então sabemos que percepção visual é um processo de estágios múltiplos.

A percepção visual normalmente é seletiva e envolve omissão: imagens menos importantes ou que causam confusão são “ignoradas” pela “mente que vê”, ou seja, a região em que é processada a informação visual.
A seletividade da percepção depende de processos cognitivos cerebrais e estaria alterada, por exemplo, em disfunções bioquímicas do cérebro. Um exemplo seria a epilepsia foto-sensitiva, em que existe uma sensibilidade exagerada ao “flickering”, que nesse caso desencadeia uma resposta anormal à estimulação luminosa intermitente e/ou certos “padrões visuais”

O sistema nervoso autônomo controla a função autonômica (vegetativa).

A dopamina, assim como a adrenalina, é um dos transmissores que ajudam a fazer a “sintonia fina” dos níveis de atividade neural. Portanto, o TDAH ou DDA (déficit de atenção com hiperatividade), assim como a depressão, síndrome do pânico, e TAG ou transtorno da ansiedade generalizada, não são raros em indivíduos que se queixam de “neve visual”.Sabemos também que,“do ponto de vista fisiológico, no transtorno de ansiedade generalizada ocorre a ativação do sistema nervoso autônomo.Os pacientes ansiosos tendem a ter um tônus simpático aumentado, respondendo emocionalmente de forma excessiva aos estímulos ambientais e demorando mais a adaptar-se às alterações do Sistema Nervoso Autônomo em http://www.psiqweb.med.br/

Outras comorbidades possíveis (esperadas) no caso da conexão simpática (Sistema Nervoso Autonomo) ser uma das vias fisiopatológicas da “neve visual”:

A síncope vasovagal (p.ex. no indivíduo que passa mal quando vê sangue, quando se submete a punção venosa, quando vê um ferimento grande). A hiper-hidrose, distúrbios do sono (incluindo a narcolepsia), AIT (acidente isquêmico transitório), hipotensão ortostática,taquicardia de repouso,esofagite de refluxo, bexiga neurogênica, dores no peito (por estresse) e espasmos musculares ou tiques.
Ou ainda: aura migranosa persistente (PMA), desordem de percepção halucinogenica persistente (HPPD), despersonalização / desrealização, anisedade (TGA), depressão, síndrome do pânico e palinopsia ( que é a persistência anormal das pós-imagens positivas).

A neve visual parece ser mais comum em pessoas que são extremamente observadoras e hiper-reativas. Nelas também é mais frequente a percepção de fenômenos entópticos. Poderia ser avaliada então como uma variação da percepção visual normal. Mas é imprescindível que exames complementares sejam realizados para excluir causas orgânicas secundárias, como efeitos colaterais de alguns medicamentos, uso de drogas ilícitas, ou ainda neoplasia encefálica, doença desmielinizante e outras patologias neurológicas.

Descartada a causa orgânica, que uma vez tratada faria cessar a “alucinação”, uma possibilidade de lidar com o sintoma visual seria a habituação.

A habituação é um fenômeno fisiológico e a utilização dessa técnica foi sugerida e tem sido utilizada em indivíduos portadores de zumbido, como forma de minimizar o seu desconforto.

Habituação é o aprendizado de novos padrões de informação. Ela se daria a partir da redução de respostas sensoriais e se basearia na repetição de estímulos sensoriais. Essa repetição, além de promover a adaptação ao padrão individual adquirido estimularia o órgão sensorial, criando novos automatismos.
A estimulação constante do ouvido (utilizando uma frequência semelhante à do zumbido e em altura suficiente para suplantá-lo) leva após um determinado período à ausência de percepção do zumbido. Nesse caso teria sido criado um novo padrão de percepção auditiva que “filtraria” o ruído adventício (zumbido) mantendo-o num plano secundário, acessível apenas em momentos mais críticos em que esse mecanismo de bloqueio fosse inativado.

A percepção espacial de movimento depende da integração dos centros oculares e proprioceptivos (corticais superiores). A memória visual está localizada no córtex visual secundário que abriga as conexões superiores relacionadas à visão. Essas conexões poderiam ser ativadas e desativadas, conforme o estímulo. Da mesma forma que o individuo percebe estímulos visuais excessivos, não necessários ao processamento da informação visual recebida cada momento (como no caso dos fenômenos entópticos), ele pode aprender a “não vê-los”. A não tomar consciência deles.

Assim como existe a readaptação vestibular na vertigem, pode-se buscar a readaptação processual visual em relação às sensações visuais incomuns (p. ex. “visual snow”). A idéia seria, através de estímulos visuais repetitivos, provocar a habituação (das vias responsáveis pela percepção visual) aos fenômenos entópticos e sensações visuais incomuns.

Essa sugestão parece interessante e deveria ser investigada por especialistas em reabilitação. Existem técnicas (hoje cada vez mais difundidas) utilizadas no tratamento da dislexia visual (síndrome de Irlen), que é uma disfuncionalidade do processamento visual. Assim como parece ser a síndrome da “neve visual”.

E assim como hoje se reconhece a possibilidade de modificar o processamento visual na criança disléxica, será que a técnica de habituação não poderia levar à readaptação visual nos indivíduos portadores de “visual snow”?

Referencias:

Livro: “Visual Perception: a clinical orientation” 2010, Schwartz S.,McGraw-Hill Publishing Co

Links:

http://uk.answers.yahoo.com/question/index?qid=20120515144530AALtrai
http://porillion.wordpress.com/pma-visual-snow-faqs/
http://www.aber.ac.uk/media/Modules/MC10220/visindex.html

Clique para acessar o cinesioterapia31.pdf

Descolamento de retina…dúvidas,ainda!

Comentário de uma internauta:

“Via moscas há muito tempo, mas comecei a ver flashes também, o que me preocupou. Então fui e fiz mapeamento de retina e o médico disse que tenho dpv. Mas estou com medo.Quais as chances do DPV causar um descolamento de retina?Tenho rinite alérgica (espirro muito) isso pode causar um descolamento de retina(por causa dos espirros)?”

O esforço físico excessivo, o movimento de vaivém da cabeça e/ou dos olhos (como no senso comum sobre leitura em movimento),a tosse persistente e convulsiva ou mesmo crises seguidas de espirros na verdade podem sim contribuir para o DR, quando existe previamente alteração retiniana (degeneração de risco, rotura retiniana ou tração vitreo-retiniana importante).

Como todas as outras patologias em Medicina,ele (DPV) é apenas um fator de risco a mais para determinado desfecho negativo,nesse caso, o DR (descolamento de retina).Um fator isolado. Mas alguns têm, além do DPV,degenerações perifericas de risco para DR. Nesse caso somam-se dois fatores de risco: então a probabilidade é maior. Mesmo assim não significa dizer que certamente terão DR.

Nós, indivíduos,médicos ou leigos,não temos controle de tudo!Investimos na prevenção de acordo com as possibilidades e probabilidades (estatisticamente determinadas). Mas ainda assim,todos os dias nos deparamos com exceções.Devemos viver de forma saudável (exercicios, boa alimentação,estabilidade emocional,lazer eficiente),fazer exames de rotina, evitar fatores de risco conhecidos para eventuais pontos frágeis que conhecemos antecipadamente,como o DPV,neste caso…e seguir confiantes de que fizemos a nossa parte.

Havendo algum acidente de percurso, ele será resolvido da melhor forma possivel com ajuda médica.

Não fique tensa a respeito. Não vale a pena…A ansiedade e o estresse desencadeiam eventos organicos que pioram qualquer prognostico devido a indução de alterações bioquimicas (incomuns e não conhecidas em sua totalidade)que podem de alguma forma interferir em toda reação e ação organica.

Por isso se diz que o estresse piora ou é o agente responsável pela maior parte das doenças!

Um outro internauta perguntou:

“Fiz uma intervenção a lazer para eliminar alguns rasgos na retina.Atualmente só tenho moscas volantes no olho direito. E meu médico diz que é normal em pessoas com alta miopia como eu. Gostaria de saber se posso continuar a fazer exercícios de musculação? Agora que já se passaram 2 meses da intervenção.

Meu trabalho exige que faça cerca de 2h a 3h de exercício por dia. Será que o exercício físico causa descolamento do vitreo posterior?
Estou algo confuso porque um dos médicos disse que posso continuar a fazer exercício com pesos, enquanto outro médico não foi dessa opinião”.

A alta miopia é fator de risco importante para as degenerações periféricas retinianas e consequentemente exige maior cuidado em relação à prevenção do DR (descolamento de retina).O segmento posterior nos olhos miopes é anatomica e histologicamente diferente do padrão e antecipa a desorganização vitrea e o DPV. A avaliação retiniana periódica é necessária, principalmente após episódio prévio de roturas retinianas.

A alta miopia não sela o diagnóstico futuro de DR; e com certeza individuos não míopes não estão livres de ter um descolamento de retina.Mas como já disse, em Medicina o dado estatístico existe para nos ajudar a melhorar o cuidado para com o paciente e nos anteciparmos à doença.

Se sabemos da maior incidencia de DR nos altos míopes é valida a orientação no sentido de avaliações da periferia retiniana sempre e tão logo surjam sintomas e ainda (na ausência de sintomas) de acordo com a periodicidade sugerida pelo retinologo que acompanha cada caso!

Quanto ao esforço físico e às várias atividades diárias de cada um de nós, vale o bom senso. Nada de esportes radicais (que envolvam risco de trauma ocular) para os alto míopes. Fora isso, os riscos inerentes a cada situação devem ser avaliados. O exercício físico com peso, se não significar movimentação brusca da cabeça e manobra de valsalva pode ser feito.
A manobra de valsalva deve ser evitada nesses casos de risco para DR.Mas a maioria das pessoas a utiliza ao pegar bastante peso.Não é necessário, mas é quase automático o seu uso.

Descolamento de retina…dúvidas

“Fiz uma cirurgia de DR e até o ocorrido não conhecia este problema. De repente a sensação era como se tivesse um véu cobrindo a visão e fiquei praticamente sete dias sem enxergar parcialmente do olho direito. Foi então que um oftalmologista fez o diagnostico de DR, e pediu para eu procurar um cirurgião o mais rápido possível , se não perderia a visão.Acabei fazendo a cirurgia com gás. Tenho 40 anos e nunca tive nenhum sintoma. Não tenho nenhum caso na família de DR, não tenho pressão alta, diabetes, não tomo nenhum medicamento e também não sofri nenhum acidente. Como pode ter ocorrido este problema? Nenhum oftalmologista pediu que eu fizesse mapeamento de retina, antes de acontecer o DR. Agora estou em fase de recuperação mas a visão está turva. Tenho medo de não voltar a ver como antes. Sou míope de 3 dioptrias. Vou poder usar lentes de contato novamente?”

O descolamento de retina não acontece apenas em altos míopes ou indivíduos com historia familiar (DR). Qualquer um de nós pode vir a ter uma sequencia de eventos que leve ao DR. Além das degenerações de risco para DR (que podemos ter e não saber, por não serem sintomáticas), qualquer fator, inflamatório ou infeccioso,local ou sistêmico, além do trauma por si só pode desestabilizar a relação vitreo-retiniana, levar à tração e rotura. A partir dai surgem os sintomas e, se não são percebidos de imediato, a turvação visual pode ser o único fator que leve o individuo ao oftalmologista.

Neste momento, provavelmente a terapia com laser já não é viável e a cirurgia é mandatória. O tempo que a retina ficou descolada do seu leito, alem da localização do DR são fatores preditivos da visão final do paciente. Se a lesão é mais periférica e/ou o tempo de descolamento é mais curto, a probabilidade de restauração funcional boa (alem da recuperação anatômica, claro) é maior!

A avaliação da retina periférica (para estratificação de risco de cada individuo em relação ao DR) deve ser feita pelo menos a primeira vez após os 35-40 anos, caso não exista historia familiar de DR. Em altos míopes esta avaliação deve ser bem mais precoce!

Quanto às lentes de contato, não há contra-indicação formal para o seu uso. Apenas lembrar que se a retina for muito friável, se existirem degenerações de risco que devam ser acompanhadas de perto, o menor trauma deve ser evitado. Não coçar os olhos e evitar situações de risco como prática de esportes com bola e outros.

Isso no olho não operado (que deverá ser avaliado quanto a presença de degenerações de risco para DR). O olho operado (DR) pode ter tido alguns parâmetros anatômicos e fisiológicos (pálpebra e superfície ocular) alterados (por conta da cirurgia) e em consequencia,o conforto da LC pode não ser mais o mesmo.

Caso isso ocorra o uso das lentes deve ser limitado a situações especiais.

Leia mais a respeito de prevenção do descolamento de retina em http://www.elizabethnavarrete.com

Eu vejo bolinhas coloridas…o que pode ser?

“Sou jovem e não sou míope, mas desde pequena vejo umas bolinhas em todo lugar, elas são coloridas algumas grandes outras pequenas. Só consigo vê-las quando foco a visão ou quando me lembro delas. Elas não fazem sombras nem interferem na minha visão. Gostaria de saber se são moscas volantes, se é normal e se tem cura!”

As sensações visuais incomuns como a que você descreveu são fenômenos que podem traduzir o que se conhece como mosca volante, sim. Mas o fato de serem coloridas e somente “bolinhas”, pode significar que não estejamos identificando corretamente essas impressões visuais!

Como não são brancas, você é jovem e suponho que o sintoma seja bilateral (nos dois olhos), alem de você ter informado que nesses momentos em que vê as “bolinhas coloridas” a visão não fica alterada , não deve ser hialite ou hialose asteroide. A sínquise cintilante é um processo degenerativo caracterizado pela deposição de cristais de colesterol dentro do olho. Usualmente é secundária a trauma ou inflamação ocular, as opacidades são multicoloridas e brilhantes, mas é bastante rara.

Outras vezes, essas sensações visuais incomuns podem ser interpretadas como fazendo parte de um conjunto de sinais e sintomas relativos a alterações na condução elétrica do encéfalo (cérebro). Nesse caso são descritas como sensações ópticas em forma de círculos ou bolas coloridas em frente aos olhos e devem ser reportadas ao neurologista.

A cura depende do diagnostico. O entendimento da causa do sintoma é necessário para se pensar na solução. Uma descrição dos sintomas rica em detalhes ajuda a pensar na causa provável das sensações ou percepções visuais incomuns. O exame oftalmológico minucioso dos segmentos anterior e posterior dos olhos identifica a causa e confirma o diagnóstico, se existir alteração ocular.

Caso contrário, as queixas devem ser analisadas pelo neurologista.