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Dúvidas em Oftalmologia

conversando com o oftalmologista…

Categoria

neuro-oftalmologia

Visão alterada somente ao acordar… o que pode ser?

“Recentemente todas as manhãs quando acordo, logo que eu abro os olhos vejo as “sombras” das veias dos meus olhos por um breve instante e depois elas somem. São como teias mas aparece somente quando acordo. Gostaria de saber se devo procurar urgentemente um oftalmo ou se é algo comum ou natural”.

A gente “não vê” “as sombras das veias dos olhos”… Tudo que se vê e que não corresponde a imagem de objeto real é chamado de “alucinação visual”. Bem diferente das “moscas volantes” citadas em varias postagens neste blog.

Elas, as “alucinações visuais” podem acontecer com a mudança da posição do corpo (de deitado para a posição sentada ou de pé) ao acordar. Mas são sintomas que merecem atenção. Ainda mais se acontece ao mesmo tempo a sensação de cabeça oca, de atordoamento ou tonteira. Ou ainda zumbidos em paralelo ao sintoma visual.

Se fosse a qualquer hora do dia, o sintoma visual poderia sugerir fenômeno visual por “irritabilidade encefálica”.

Podem se originar na redução temporária do fluxo de sangue na região do córtex visual que, com os ajustes fisiológicos depois de alguns minutos, cessam.

Ainda assim, se é um sintoma novo, que nunca esteve presente…o corpo está avisando que precisa de ajuda para retornar o equilíbrio anterior. Aproveite a “dica” dele, organismo, e busque a causa (um neuro-oftalmologista pode ajudar).

Caso não seja detectada disfuncionalidade (pelo neuro-oftalmologista), um otorrino e/ou pneumologista deve avaliar a qualidade de oxigenação cerebral durante o sono.

Você disse que gostaria de tirar uma dúvida antes de procurar um oftalmo!

Não espere para buscar ajuda! A única conduta que não aconselho é não aproveitar a sinalização do organismo para ajudá-lo a melhorar o nível de homeostasia (capacidade de recuperação da saúde)

Após alguns anos em desajuste…ele, corpo, termina por não conseguir mais funcionar como deveria e aí…surge a doença.

Então…mesmo que amanhã o sintoma desapareça, busque o médico para um check-up.

Espero ter ajudado!

 

Meus olhos estão “encolhendo”…é possivel?

“… Estou desesperada …eu tinha os olhos grandes e agora eles estão encolhendo cada vez mais..tenho olhos secos também e uso colírios. O globo ocular está diminuindo … e tenho passado os dias chorando por conta disso… que posso fazer?”

Você se queixa de que seus “olhos que estão encolhendo” (sic)…

A órbita é uma cavidade óssea onde o olho está inserido “muito bem acolchoado” pela gordura que o envolve (além das outras estruturas como músculos, nervos,vasos, etc). Gosto de comparar os tecidos que envolvem o globo ocular na órbita com o “papel bolha” que reveste um eletro-eletronico na caixa em que ele vem embalado.

Somente o terço anterior do globo ocular é visível aos olhos de quem olha nos olhos de alguém.As pálpebras se abrem e fecham nos deixando ver essa porção exposta do olho.

Você não comentou sobre a idade então vou falar de algumas possibilidades.

A primeira: Quando envelhecemos os olhos podem parecer “mais fundos” porque a gordura atrás dos olhos (retro-ocular) “diminui”. A redução desse volume faz com que o olho pareça menor por conta de mudança na relação entre as pálpebras, os olhos e o conteúdo orbitário.

A segunda seria que com o tempo, à medida que envelhecemos, o supercílio e a pálpebra superior também podem “ficar mais baixos” (descer em relação à posição original). Daí a constatação de que a fenda palpebral (espaço entre a pálpebra superior e a inferior) pode se tornar menor,com a idade, e o olho “aparecer menos” do que quando éramos mais jovens. Mas isso não é porque o olho está “encolhendo” …como você pensou!

Outra possibilidade é a existência de “queda” da pálpebra superior, que parece estar mais baixa ou por conta da desinserção de algumas fibrilas do músculo que ajuda a elevar a pálpebra superior, ou pelos excessos de pele palpebral (dermatocalase e/ou blefarocalase) ou mesmo por uma disfunção neurológica ou metabólica.

Seja o que for, por que você não conversa com seu oftalmologista a respeito do desconforto e da sua apreensão? Não perca a oportunidade de falar com ele sobre o que pensa e sente. Tenho certeza de que se surpreenderá com as informações que ele pode lhe dar! Ele poderá talvez até encaminhá-la a um cirurgião de palpebras, se for o caso, na ausência de outra causa para as suas queixas.

E lembre-se que uma boa relação médico-paciente é o inicio de um tratamento bem sucedido!

Abs,

Visão embaçada e exame oftalmológico “normal”. O que fazer?

“Há um mês eu tive uma perda de visão repentina; meu olho ficou meio que descontrolado, não conseguia focar a visão. Ela voltou ao normal, porém desde então tem ficado embaçada e ruim. Eu fui ao oftalmologista e ele disse que está tudo certo.

Mas estou preocupado!

Já uso óculos e o mesmo está em dia!”

Comentário:

Se o oftalmologista não encontrou evidencia de qualquer alteração ocular (ao exame), sugiro que durante um intervalo de tempo avalie sua sintomatologia (dados novos, mais precisão na queixa visual,relação da dificuldade visual com a hora do dia e/ou atividade executada, p.ex.) e retorne à consulta.

Muitas vezes a queixa imprecisa (dado subjetivo) não indica ao medico a possível origem do problema. Não significa que ele não exista, apenas ainda não se tornou visível ao exame. Por exemplo, uma opacidade cristaliniana muito incipiente que gera alteração no contraste e com isso o paciente se queixa de que não está vendo como antes… tem algo errado…mas o medico não visualiza a alteração antes dela se tornar um pouco mais densa. Ainda assim ela pode não alterar a quantidade de visão (acuidade visual que se mede no consultório), mas é responsável pela queixa de piora na qualidade visual.

Porem, como você disse que “perdeu a visão de repente”, isso pode significar alteração súbita na acomodação (uso de algum fármaco ou apenas estresse importante e pontual), enxaqueca ou migranea retiniana, alteração nervo óptico (quando ela é posterior em sua localização ,o médico não vê nenhuma alteração no fundo do olho) ou mesmo uma isquemia transitória (AIT).

Como você diz que a visão “voltou ao normal” mas “tem ficado embaçada”, talvez a alteração acomodativa deva ser melhor investigada (se você está fazendo vestibular, mestrado ,doutorado ou estudando para algum concurso, essa disfunção acomodativa não é incomum).

Como você viu, são várias as possibilidades e o tempo e a mudança na característica dos sintomas pode ser vital para um diagnóstico preciso. Mas o lado bom é que não deve ser nada que exija intervenção precoce,uma vez que o exame oftalmológico não se mostrou alterado na primeira visita após o ocorrido. As mudanças orgânicas são dinâmicas; o médico precisa de vários momentos diferentes da doença para ser mais assertivo. A Medicina depende de sintomas e sinais para que os diagnósticos sejam feitos.

Imagine uma criança com febre 38ºC há menos de 24 horas e mal estar geral. A doença pode ser uma meningite, sarampo ou qualquer outra virose comum da infância. Uma historia de possível contágio, outros membros da família doentes pode ajudar. Mas somente o acompanhamento da criança pode levar ao diagnostico de certeza! Os novos sintomas que surgirão darão a “pista” e o que se pode fazer no momento é aguardar esses sintomas, observar de perto a criança e controlar a febre. O tratamento precoce “às cegas” muitas vezes modifica negativamente o desfecho da doença.

É fato também que às vezes o medico não tem esse tempo! Se o paciente está muito mal, descompensado corre perigo de vida, é obvio que será medicado (por suposição ou definição de causa mais provável) e depois, mais à frente, as correções diagnosticas e terapêuticas serão feitas.

Entendeu?

Minha sugestão é que volte ao oftalmologista com as queixas atuais e converse com ele sobre a sua preocupação. Ninguem melhor do que ele para rever o seu quadro e avaliar as possibilidades diagnosticas.Ele fez o primeiro exame e saberá encontrar modificações do aspecto inicial em relação ao quadro clínico atual.Além disso o reexame dará a você mais confiança, alem de permitir uma decisão terapêutica acertada caso se verifique alguma modificação dos achados oftalmológicos anteriores.

Toda (e qualquer) queixa deve ser investigada,sempre!

Melhor pecar pelo excesso do que pela falta, não é o que diz o ditado?

Abs,

duvidasemoftalmologia@gmail.com

Outro comentário sobre neve visual ou “visual snow”

“Li o artigo sobre visual snow… Estou com os sintomas há umas tres semanas; iniciaram após uma crise de cefaléia com aura e não sumiram, apesar de conseguir a priori ignorar os efeitos, quando preciso ler um livro ou usar o computador a tarefa fica bem árdua… Há algo que possa fazer para que consiga essa “habituação” de que o artigo trata? Ainda, há alguma medicação que possa ser eficaz?
Fui ao oftalmologista, fiz mapeamento de retina e segundo ele não há qualquer alteração no olho, salvo a miopia que tenho há muitos anos…
Quero ir ao médico, neuro ou algo assim, mas confesso que não sei nem por onde começar a procurar um que trate essa condição, até porque há pouquíssima literatura sobre o tema. Existe tem algum ‘exercício’ que eu mesma possa fazer para buscar essa “habituação visual”?
O visual snow apresenta algum risco ou complicação além da sensação visual distorcida?
Há algum fator que possa agravar a condição?”

Como você já leu, a fisiopatologia da “neve visual” (visual snow) ainda não foi estabelecida. Em termos leigos, porém, podemos afirmar que os portadores dessa “sensação visual” são indivíduos cujos cérebros apresentam hiper-reatividade do cortex cerebral.

A percepção visual normalmente é seletiva (envolve omissão de imagens menos importantes) e a alteração dessa seletividade da percepção parece estar implicada no processo de surgimento da neve visual. Como em várias disfunções bioquímicas do cérebro, esta pode ser mais uma delas. E não há nenhum “medicamento” especifico para esse sintoma. Digo isso por que as disfunções que costumam estar presentes em indivíduos portadores de neve visual (migranea, o TDAH, a TAG -ansiedade generalizada), apesar de serem tratadas com medicamentos (também, alem de outras intervenções), ainda não são “curáveis” e nem todos respondem a uma única droga.

Seria uma variação da percepção visual normal, assim como o poder de observação acurado, o estar ligado no seu entorno nos 360º “full time” e a hiper-reatividade emocional são variantes da personalidade. E quem não sabe que sofre mais o individuo tido como mais sensível? Creio que a ciência tem mostrado que todas as nossas características individuais são mediadas pelos genes e se manifestam através de alterações bioquímicas de cada individualidade. O que a epigenética tem dito é que somos capazes de não expressar esses genes em condições especiais que dependeriam do meio ambiente (externo e interno). Isso explicaria o porquê de apenas em determinados momentos da vida surgirem os sintomas das afecções que seguramente herdamos ( por que conhecemos outros familiares com as mesmas queixas). Não apenas isso, mas explica por que alguns de nós, mesmo tendo herdado determinadas características ou doenças não as expressamos (como se diz em genética médica).

Mas não devemos esquecer que é imprescindível que exames complementares sejam realizados para excluir causas orgânicas secundárias, como efeitos colaterais de alguns medicamentos, uso de drogas ilícitas, ou ainda neoplasia encefálica, doença desmielinizante e outras patologias neurológicas. Em outras palavras, um neurologista deve ser consultado!

Uma definição de habituação psicofisiológica é o desaparecimento da resposta à estimulação habitual.
Partindo desse princípio, a habituação seria um fenômeno fisiológico que poderia minimizar o desconforto do portador de neve visual através da exposição repetitiva aos estímulos sensoriais que se deseja “anular”. Podemos inferir então que essa disfuncionalidade do processamento visual, pelo menos em teoria pode responder à habituação, assim como o zumbido pode se tornar bem menos incomodo com esse tipo de proposta de reabilitação sensorial.

Mas, infelizmente, ainda desconheço qualquer proposta de grupos ligados à readaptação sensório motora, sejam fisioterapeutas, ortoptistas e/ou oftalmologistas direcionada à readaptação visual de pacientes portadores do sintoma ”visual snow”.

Não conheço nenhum risco maior ou complicação devida ao sintoma neve visual, exceto a necessidade de afastar qualquer possibilidade de patologia encefálica que possa ser responsabilizada pelo inicio dos sintomas (apesar de incomum).

Então, o que se pode (e deve) fazer é excluir causas orgânicas de “percepção visual incomum”. Um neurologista deve ser procurado para fazer esse “screening”. Você também pergunta se existe algum ‘exercício’ possa fazer para buscar essa “habituação visual”. Se a sensação de neve visual é intermitente,eu sugeriria que observasse que situações do dia a dia precipitam esse sintoma e tentar evitá-las ou contorná-las: você cita o incomodo à leitura (papel e tela do computador); então porque não tenta usar um óculos que altera a forma habitual de percepção visual,como por exemplo os óculos conhecidos como “casa de abelha” ou “ropidol”?

Quando eu estava muito incomodada com um floatter fixo em meu campo visual após uma rotura retiniana tratada, passei muitos dias (40-60) usando meus oculos de leitura “pintados”. Explico melhor: pintei as lentes dos óculos com uma trama reticulada que evitava a percepção da “mancha” isolada,uma vez que toda a superfície estava coberta de “manchas”! Consegui bastante alivio com esse recurso: consegui até voltar a me interessar pela leitura que havia deixado de lado nos dias seguintes ao episodio vítreo-retiniano.

Foi lento o processo, a “mancha” ainda está aqui,mas na maioria das vezes (quase sempre) eu não a percebo. Ela não me incomoda a não ser quando estou mais vulnerável: quanto mais estresse, mais adrenalina, mais intensa a reação de luta ou fuga do organismo, ou seja, mais atentos ao nosso redor estamos! E é ai que aparecem novamente os nossos “passageiros indesejáveis”, aquelas sensações desagradáveis que nos acompanham sempre, exatamente por termos uma habilidade maior de percepção do entorno, além da incapacidade de “deletar” as informações secundárias, aquelas que são menos importantes na avaliação do todo, seja esse todo uma tela de TV, um pedaço de papel ou a nossa própria vida!

E não se esqueça, a troca de informações (leigos e não leigos) é importante para trazer luz a determinados tópicos pouco conhecidos. Juntos podemos entender melhor o sintoma neve visual, possíveis mecanismos de “gatilho” , como e por que surgem essas percepções e,principalmente, como melhor lidar com elas e mitigar o sofrimento que efetivamente causam em seus portadores!

duvidasemoftalmologia@gmail.com

“Neve visual”…a habituação seria possível?

A fisiopatologia da “neve visual” ainda não foi estabelecida. Mas, em termos leigos, por ora, poderíamos dizer que os portadores dessa “sensação visual” são indivíduos cujos cérebros apresentam hiper-reatividade cortical.

O processamento visual se dá no encéfalo. Os olhos recebem a informação fotoquímica e o nervo óptico faz a conexão com os centros visuais no cérebro.Então sabemos que percepção visual é um processo de estágios múltiplos.

A percepção visual normalmente é seletiva e envolve omissão: imagens menos importantes ou que causam confusão são “ignoradas” pela “mente que vê”, ou seja, a região em que é processada a informação visual.
A seletividade da percepção depende de processos cognitivos cerebrais e estaria alterada, por exemplo, em disfunções bioquímicas do cérebro. Um exemplo seria a epilepsia foto-sensitiva, em que existe uma sensibilidade exagerada ao “flickering”, que nesse caso desencadeia uma resposta anormal à estimulação luminosa intermitente e/ou certos “padrões visuais”

O sistema nervoso autônomo controla a função autonômica (vegetativa).

A dopamina, assim como a adrenalina, é um dos transmissores que ajudam a fazer a “sintonia fina” dos níveis de atividade neural. Portanto, o TDAH ou DDA (déficit de atenção com hiperatividade), assim como a depressão, síndrome do pânico, e TAG ou transtorno da ansiedade generalizada, não são raros em indivíduos que se queixam de “neve visual”.Sabemos também que,“do ponto de vista fisiológico, no transtorno de ansiedade generalizada ocorre a ativação do sistema nervoso autônomo.Os pacientes ansiosos tendem a ter um tônus simpático aumentado, respondendo emocionalmente de forma excessiva aos estímulos ambientais e demorando mais a adaptar-se às alterações do Sistema Nervoso Autônomo em http://www.psiqweb.med.br/

Outras comorbidades possíveis (esperadas) no caso da conexão simpática (Sistema Nervoso Autonomo) ser uma das vias fisiopatológicas da “neve visual”:

A síncope vasovagal (p.ex. no indivíduo que passa mal quando vê sangue, quando se submete a punção venosa, quando vê um ferimento grande). A hiper-hidrose, distúrbios do sono (incluindo a narcolepsia), AIT (acidente isquêmico transitório), hipotensão ortostática,taquicardia de repouso,esofagite de refluxo, bexiga neurogênica, dores no peito (por estresse) e espasmos musculares ou tiques.
Ou ainda: aura migranosa persistente (PMA), desordem de percepção halucinogenica persistente (HPPD), despersonalização / desrealização, anisedade (TGA), depressão, síndrome do pânico e palinopsia ( que é a persistência anormal das pós-imagens positivas).

A neve visual parece ser mais comum em pessoas que são extremamente observadoras e hiper-reativas. Nelas também é mais frequente a percepção de fenômenos entópticos. Poderia ser avaliada então como uma variação da percepção visual normal. Mas é imprescindível que exames complementares sejam realizados para excluir causas orgânicas secundárias, como efeitos colaterais de alguns medicamentos, uso de drogas ilícitas, ou ainda neoplasia encefálica, doença desmielinizante e outras patologias neurológicas.

Descartada a causa orgânica, que uma vez tratada faria cessar a “alucinação”, uma possibilidade de lidar com o sintoma visual seria a habituação.

A habituação é um fenômeno fisiológico e a utilização dessa técnica foi sugerida e tem sido utilizada em indivíduos portadores de zumbido, como forma de minimizar o seu desconforto.

Habituação é o aprendizado de novos padrões de informação. Ela se daria a partir da redução de respostas sensoriais e se basearia na repetição de estímulos sensoriais. Essa repetição, além de promover a adaptação ao padrão individual adquirido estimularia o órgão sensorial, criando novos automatismos.
A estimulação constante do ouvido (utilizando uma frequência semelhante à do zumbido e em altura suficiente para suplantá-lo) leva após um determinado período à ausência de percepção do zumbido. Nesse caso teria sido criado um novo padrão de percepção auditiva que “filtraria” o ruído adventício (zumbido) mantendo-o num plano secundário, acessível apenas em momentos mais críticos em que esse mecanismo de bloqueio fosse inativado.

A percepção espacial de movimento depende da integração dos centros oculares e proprioceptivos (corticais superiores). A memória visual está localizada no córtex visual secundário que abriga as conexões superiores relacionadas à visão. Essas conexões poderiam ser ativadas e desativadas, conforme o estímulo. Da mesma forma que o individuo percebe estímulos visuais excessivos, não necessários ao processamento da informação visual recebida cada momento (como no caso dos fenômenos entópticos), ele pode aprender a “não vê-los”. A não tomar consciência deles.

Assim como existe a readaptação vestibular na vertigem, pode-se buscar a readaptação processual visual em relação às sensações visuais incomuns (p. ex. “visual snow”). A idéia seria, através de estímulos visuais repetitivos, provocar a habituação (das vias responsáveis pela percepção visual) aos fenômenos entópticos e sensações visuais incomuns.

Essa sugestão parece interessante e deveria ser investigada por especialistas em reabilitação. Existem técnicas (hoje cada vez mais difundidas) utilizadas no tratamento da dislexia visual (síndrome de Irlen), que é uma disfuncionalidade do processamento visual. Assim como parece ser a síndrome da “neve visual”.

E assim como hoje se reconhece a possibilidade de modificar o processamento visual na criança disléxica, será que a técnica de habituação não poderia levar à readaptação visual nos indivíduos portadores de “visual snow”?

Referencias:

Livro: “Visual Perception: a clinical orientation” 2010, Schwartz S.,McGraw-Hill Publishing Co

Links:

http://uk.answers.yahoo.com/question/index?qid=20120515144530AALtrai
http://porillion.wordpress.com/pma-visual-snow-faqs/
http://www.aber.ac.uk/media/Modules/MC10220/visindex.html
http://www.mundot2.com.br/portfolio/ritaangelo/downloads/cinesioterapia/cinesioterapia31.pdf

Eu vejo bolinhas coloridas…o que pode ser?

“Sou jovem e não sou míope, mas desde pequena vejo umas bolinhas em todo lugar, elas são coloridas algumas grandes outras pequenas. Só consigo vê-las quando foco a visão ou quando me lembro delas. Elas não fazem sombras nem interferem na minha visão. Gostaria de saber se são moscas volantes, se é normal e se tem cura!”

As sensações visuais incomuns como a que você descreveu são fenômenos que podem traduzir o que se conhece como mosca volante, sim. Mas o fato de serem coloridas e somente “bolinhas”, pode significar que não estejamos identificando corretamente essas impressões visuais!

Como não são brancas, você é jovem e suponho que o sintoma seja bilateral (nos dois olhos), alem de você ter informado que nesses momentos em que vê as “bolinhas coloridas” a visão não fica alterada , não deve ser hialite ou hialose asteroide. A sínquise cintilante é um processo degenerativo caracterizado pela deposição de cristais de colesterol dentro do olho. Usualmente é secundária a trauma ou inflamação ocular, as opacidades são multicoloridas e brilhantes, mas é bastante rara.

Outras vezes, essas sensações visuais incomuns podem ser interpretadas como fazendo parte de um conjunto de sinais e sintomas relativos a alterações na condução elétrica do encéfalo (cérebro). Nesse caso são descritas como sensações ópticas em forma de círculos ou bolas coloridas em frente aos olhos e devem ser reportadas ao neurologista.

A cura depende do diagnostico. O entendimento da causa do sintoma é necessário para se pensar na solução. Uma descrição dos sintomas rica em detalhes ajuda a pensar na causa provável das sensações ou percepções visuais incomuns. O exame oftalmológico minucioso dos segmentos anterior e posterior dos olhos identifica a causa e confirma o diagnóstico, se existir alteração ocular.

Caso contrário, as queixas devem ser analisadas pelo neurologista.

Dor ocular unilateral… o que pode ser?

Comentário de uma internauta:

“Estou muito preocupada com meu olho direto, pois esta é a quarta vez que me acontece a mesma coisa. Do nada sinto essa dor… Começa com irritação, o olho fica vermelho, meio fechado e dói muito quando foco alguma coisa. Por exemplo, não consigo olhar no celular, ou coisas pequenas; posso olhar sem sentir dor no geral, mas se focar algo, dá uma fisgada na vista. Dói atrás do olho ou quando olho para baixo ou para direita a dor vai aumentando. Inclusive não posso colocar a mão sobre a vista que dói muito.

Todas as vezes que me aconteceram esses episódios o olho afetado foi sempre o mesmo. Fico uma semana assim… Depois volta ao normal.

Já consultei dois oftalmologistas que me medicaram com colírio “Pred fort” e disseram para eu não me preocupar pois não é nada grave… dizem ainda que eu “imagino” a fisgada…. Isto está me preocupando muito… Gostaria de saber o que fazer, como resolver de vez este problema. Tenho medo de ter complicações maiores. Pesquisei na internet e o que li sobre neurite óptica se assemelha aos sintomas que sinto.

Por favor, aguardo retorno”.

 

 

Você refere dor ocular unilateral com olho vermelho (hiperemia) e “meio fechado” (diminuição da fenda palpebral). A dor piora com o uso da acomodação (foco para perto, em caracteres pequenos, como você referiu) e com a movimentação dos olhos.

Somente os sintomas não definem a etiologia (causa) da dor uma vez que falta informação sobre os achados oftalmológicos (sinais clínicos) para excluir algumas possibilidades e apontar uma ou mais hipóteses diagnosticas. Além disso, mais dados sobre a história da doença atual devem ser avaliados para ajudar a elucidar a provável causa.

Primeiramente devem ser afastadas as causas oftalmológicas (ceratite, uveite, esclerite (anterior e/ou posterior), hipertensão ocular transitória, trocleite (inflamação da tróclea, no canto interno da orbita,por onde passa um músculo chamado obliquo superior), espasmo de acomodação. Pelo caráter paroxístico e transitório e na ausência de outros sintomas, principalmente diminuição da acuidade visual  (e não apenas dor ao fixar a visão,como você refere) a neurite óptica não seria uma das hipóteses iniciais. Mas, novamente, faltam dados de exame clinico.

A oftalmodinia periódica não é tão incomum. Ainda não se conhece a causa, embora possa estar relacionada com diminuição (passageira) da oxigenação local(olho).

Existem causas não oftalmológicas para dor ocular unilateral intermitente. Um tipo de dor referida, isto é, que não tem origem no olho, mas o sintoma é ocular!

Um bom neurologista ou neuro-oftalmologista pode ser de ajuda também: hemicranias paroxísticas podem cursar com hiperemia ocular e alteração da pálpebra, além de outros sinais.

 

Em suma, você deve ser examinada em plena crise para que possa ser feito um exame direcionado e com isso facilitar a construção de um raciocínio clínico preciso na tentativa de elucidação diagnóstica.

 

Converse com seu oftalmologista!  Procure o medico assim que começar o próximo episódio de vermelhidão e dor ocular. Coloque suas dúvidas e apreensões. Tenho certeza que você ficará bem!

 

Abs,

 

Convivendo com a baixa acuidade visual…o que fazer … o que esperar?

“Tenho baixa visual desde criança.De acordo com meu laudo médico minha acuidade visual sem correção é de 20/80 em ambos os olhos, que não melhora com correção visual. Ao exame de fundo de olho foi detectada alteração nas papilas do nervo óptico, por provável neuropatia óptica. A conclusão é de paciente com deficiência visual que não responde a correção ou qualquer tratamento.Já procurei diversos médicos, mas nenhum sabe dizer a causa. Não sei mais o que faço! Estou em estado de desespero, pediram pra que eu procurasse um neuro-oftalmologista, mas meu convênio médico não cobre essa especialidade. Já tentei procurar no SUS, mas está muito difícil! Em algumas pesquisas encontrei uma terapia chamada Self Healing. Já ouviu falar?Sabe se realmente pode dar resultados?

 

Por favor, preciso de uma luz, como devo proceder agora?”

 

A sua ansiedade é compreensível, mas a Medicina não tem resposta para todos os males que afetam os indivíduos. São descritas várias causas de neuropatias ópticas, mas na maioria das vezes o diagnostico disfuncional é feito, mas a causa não pode ser determinada! A doença, felizmente, para de evoluir, mas a perda funcional permanece. É como uma cicatriz. Assim como permanece na memória celular o “rastro” de uma toxoplasmose ou de uma hepatite em que o exame laboratorial evidenciará sempre a presença dessas doenças, mesmo que pretéritas e sem ativação recente.

No caso da neuropatia, mesmo que se identificasse a causa, infelizmente ainda não se pode oferecer nenhuma perspectiva animadora. Como o nervo óptico é uma “extensão do tecido nervoso”, se comporta como tal: ainda não se conhece como viabilizar a neuro-regeneração. Pelo menos hoje ainda não. O nervo óptico continua funcionando como interface de ligação entre o olho e o cérebro. Mas com capacidade reduzida, não funcionando 100%.

Pessoalmente não acredito no beneficio real do self healing (citado por você) em relação à perda funcional neuronal. Assim como também, apesar de oferecido na internet, ainda não vi referencia em congressos e simpósios de Oftalmologia a um tipo de treinamento neural visual que informa “aumentar o processamento neural no córtex visual primário, facilitando as conexões neurais, melhorando a acuidade visual e a sensibilidade ao contraste”.

Você pode ler mais a respeito no site http://www.revitalvision.com/

Este tipo de tratamento estaria disponível em algumas clínicas brasileiras. Veja propaganda no site http://www.americasoftalmocenter.com/revital_vision.html

 

O informe publicitário apresenta como indicações terapêuticas a ambliopia, baixa miopia, miopia pediátrica, presbiopia, Pós-Catarata, Pós-LASIK (cirurgia refrativa). Nesses casos o cérebro seria “treinado” a ser mais eficiente e melhorar o processamento visual. Nenhuma referencia é feita ao déficit visual das neuropatias ópticas.

Sem validação cientifica (medicina ortodoxa, padrão-ouro) eu não poderia indicar a você nenhum dos dois tipos de intervenção. Mas acredito sim na capacidade que o ser humano tem de contornar as dificuldades!

 

Vivendo com baixa visual: Aprender sobre como lidar com a baixa visual, através de grupos de apoio, incluindo  orientações  sobre como aproveitar melhor a visão remanescente pode ser de grande ajuda. Pode melhorar muito a qualidade de vida, apesar da limitação visual.

 

Informe-se!

 

A visão subnormal (VSN) é definida a partir de acuidades visuais iguais ou inferiores a 20/80.  Portanto, com visão 20/80 você teria uma VSN leve, sendo capaz de ler muito bem impressos sem precisar de ampliação.

Visão subnormal ou baixa visão?  Você pode ler no site  http://www.fundacaodorina.org.br/deficiencia-visual/ a respeito de visão subnormal ou baixa visão , “quando o individuo apresenta 30% ou menos de visão no melhor olho, após todos os procedimentos clínicos, cirúrgicos e correção com óculos comuns. Essas pessoas apresentam dificuldades no dia a dia de ver detalhes. Por exemplo, vêem as pessoas mas não reconhecem a feição, as crianças enxergam a lousa porém não identificam as palavras, no ponto de ônibus não reconhecem os letreiros”. Felizmente não é o seu caso!

Enfim, se eu puder ajudá-la com mais alguma informação, entre em contato, será sempre bem-vinda!

E não deixe de visitar o site www.fundacaodorina.org.br, criada por Dorina Nowill, que viveu 91 anos e  “deixou à pessoa com deficiência visual a oportunidade de viver com dignidade e às pessoas que enxergam uma lição de vida!  Perseverança, caridade, resignação e paciência foram as lições deixadas por esta paulista que enxergava o mundo com os olhos da alma”.

 

Abs,