Vista cansada ou cansaço visual?

 

Sabemos que somos programados para enxergar para longe. É a função visual básica, desde os tempos em que éramos caçadores-coletores.

 

Assim como existem diferenças raciais existem diferenças de “tipo de olho” em relação à visão de longe. Podemos ser míopes, hipermetropes e/ou astigmatas. Mas, uma vez corrigida a refração (grau), se não há nenhuma doença ocular, todos iremos enxergar bem. O clássico “20/20” (100%) na linguagem oftalmológica.

 

A correção do grau faz com que todos possamos ver de longe …e de perto… até a meia idade. Temos capacidade de “corrigir” a visão para distancias mais curtas e o fazemos através do mecanismo de “acomodação” do olho. Esse mecanismo depende da lente que temos dentro do olho (cristalino) e do musculo ciliar ligado ao cristalino através de expansões filiformes que agem como as cordas que controlam uma marionete.

 

É a capacidade de mudar de forma que permite ao cristalino focar objetos próximos. O “músculo ciliar” se contrai e modifica a forma da lente do olho (cristalino), tornando-o mais curvo e trazendo a imagem para o foco na retina. A capacidade funcional deste músculo diminui com a idade. O envelhecimento do olho traz consigo então a dificuldade de ver de perto. O leigo chama este processo de “vista cansada” e nós médicos de “presbiopia”.

 

O enrijecimento e a diminuição lenta, mas progressiva da capacidade contrátil das fibras do músculo ciliar cada vez mais a distância focal de perto vai se afastando do ponto ideal são responsáveis pela necessidade de uso de correção óptica para perto. Com a perda progressiva da elasticidade do cristalino fica reduzida sua capacidade de mudar sua forma para focalizar perto.

 

É o momento em que percebemos alguma dificuldade de ler na distância a que estávamos habituados. Procuramos ambientes mais iluminados para aumentar o contraste e vermos melhor.

 

Tudo isso faz parte da fisiologia humana e costuma acontecer por volta dos 40 anos. Pode ser antecipado nos diabéticos ou nos indivíduos que são hipermetropes (em torno dos 35 anos). E alguns de nós podem chegar aos 48 ou 50 anos sem sentir necessidade de usar óculos de perto. Vamos nos adaptando gradativamente a novas distancias para conforto visual de perto. Mas é incomum.

Quando chega a presbiopia, avaliamos a refração (grau) que nos permite ver bem a trinta e sete centímetros. Esta é a distância para a qual a visão de perto (leitura de um livro, p.ex.) é corrigida. São nossos óculos de leitura.

 

As várias distancias ditas intermediarias (para ler no computador p.ex.) variam de acordo tanto com a necessidade profissional de cada um de nós quanto com a nossa estrutura morfológica e biométrica. Somos diferentes uns dos outros.

 

Umas pessoas são altas, outras baixas, umas com braços mais compridos do que outras e assim por diante. As dimensões do corpo têm influência na distância mais confortável de leitura. Ela é variável, para cada um de nós. Mas temos que partir de um padrão, determinado como sendo trinta e sete centímetros (valor impresso nas tabelas disponíveis para mensurar a capacidade de leitura). Cabe ao médico e ao paciente identificar a melhor distancia de correção em cada caso.

 

A partir de um determinado momento vamos precisar de alguma estratégia para voltar a ver com precisão de perto. Seja através de óculos, lentes de contato ou tratamento cirúrgico (ainda muito controverso sem estudos de longo prazo). Todas as formas de intervir na presbiopia têm suas limitações e temos que nos adequar a elas.

 

Uma coisa é certa. Os sintomas de “vista cansada” poderão ser antecipados se utilizamos ansiolíticos, antidepressivos ou medicação que interfira com a qualidade do trabalho muscular. E quanto mais conseguimos nos adaptar a novas distancias de leitura (não tão próximas quanto antes, mas ainda aceitáveis do ponto de vista estético e que proporcionem uma boa qualidade visual), estaremos lentificando o envelhecimento do musculo ciliar! Não custa lembrar que musculo precisa de exercício para se manter em forma. Mantenha-se proativo. Se não tem outros sintomas oculares exceto a alteração da distância de leitura, adapte-se à nova distância … enquanto der!

Lembre-se que pensando a longo prazo, subir alguns lances de escada é melhor do que ir de elevador.

 

Até os octogenários, mesmo com suas limitações, precisam do exercício funcional para se manterem independentes. Enquanto estivermos vivos temos que nos mexer, certo?

Com os músculos dos olhos não é diferente.

 

E calma, não é o fim do mundo…é apenas o início de uma nova fase!

 

Então, como vimos, vista cansada ou presbiopia, nada tem a ver com o cansaço visual comum nos usuários de mídia digital.

 

Saiba mais:

 

http://ipvisao.com.br/site/institucional.do?vo.chave=apresbiopiaouvistacansada&tipo=12

http://www.einstein.brr/einstein-saude/em-dia-com-a-saude/Paginas/vista-cansada.aspx

http://www.ioc.med.br/especialidades/presbiopia-%E2%80%93-vista-cansada

 

http://elizabethnavarrete.com/2011/09/28/miopia-hipermetropia-ou-astigmatismo/

http://www.abcdasaude.com.br/oftalmologia/presbiopia-vista-cansada

 

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