Tivemos conjuntivite em casa, ela foi leve e ficamos bem logo…mas minha mãe teve dois episódios de conjuntivite em menos de um mês. Do tipo viral. Ela tem 62 anos. Olhos bem vermelhos, lacrimejamento, fotofobia, visão embaçada, dor de garganta e sensação de gripe. Possivelmente foi por adenovírus; lesão significativa na córnea. Visão normal sem resquícios da conjuntivite, quinze dias depois. Uma semana depois ficou ruim novamente gripe forte com tosse chegou a inchar o gânglio ao lado da orelha. Foi uma repetição pela baixa da imunidade por causa da gripe? O médico receitou hoje xxxxxxx por 7 dias, disse que o olho está inflamado ainda… bem menos, mas que teria que entrar com um corticoide mais potente para ficar melhor da inflamação. Estamos preocupados em se tornar algo crônico ou com a necessidade de buscar um tratamento mais específico. Minha mãe tem asma e rinite então é bem alérgica a sulfa, penicilina e nunca tomou um anti-inflamatório via oral na vida. O que fazer?

 

Cada organismo tem sua história. Apesar de muito semelhantes na avaliação macro, a vida no interior do corpo de cada indivíduo é ÚNICA. E a relação das nossas células com cada microrganismo dentro de nós (microbioma) também é única! As agressões a esse conjunto, ao longo da vida, traçam a resposta imune do hospedeiro a agressões futuras. Por isso cada doença pode se apresentar de forma diferente em cada organismo.

Indivíduos em remissão longa de doença herpética (oral ou genital) costumam apresentar conjuntivite mais importante e ter uma doença adenoviral mais longa, de evolução mais arrastada. No mesmo caso se encontram aqueles que estão em momento de fragilidade imunológica (deve ser investigada a causa para afastar alterações que exijam maior cuidado; um imunologista deve ser consultado).

Em se tratando de conjuntivite adenoviral, o uso de corticoide no período inicial, sem observação de infiltrado corneano, pode prolongar o curso da doença uma vez que, a cada tentativa de retirá-lo costuma haver recidiva dos sintomas e daí necessidade de reintrodução da droga. A observação deve ser contínua (oftalmologista) e aos poucos (desmame) será retirada a corticoterapia. Outras drogas (tacrolimus / ciclosporina) apenas são usadas em casos específicos e a critério médico.

Todos os dias, todos nós estamos expostos aos mais variados agentes patogênicos. Nem por isso ficamos doentes. O adoecimento é resultante de uma falha pontual (ou crônica) no sistema de defesa. E os sintomas sinalizam a ação desse mesmo sistema imunológico “brigando” com os agressores (que naquele momento significam “intrusos” que estão ameaçando o equilíbrio (homeostase) orgânica). A defesa do organismo à agressão é que causa os sintomas e não o agente agressor. Combatê-los SEM buscar a causa (real) é um paradoxo.

A “cura” começa de dentro para fora. O remédio, embora necessário, não deve ser a única forma de lidar com a doença aguda. Nesse momento o organismo precisa de todas as suas células atuando de forma sinérgica para fazer frente à agressão pontual. Então se melhoramos a dieta (low FODMAP diet), principalmente nos alérgicos, damos chance ao organismo de uma recuperação mais rápida (e duradoura). Outro pilar muito importante é o sono de qualidade (não fragmentado e suficiente em horas). É à noite, durante o sono, que recuperamos nosso organismo das agressões diárias que sofremos (emocionais, físicas e químicas).

O corpo fala! O título comum a alguns livros exprime bem isso. Precisamos aprender a ver a doença como sinal de que algo não vai bem na forma como temos conduzido nosso cuidado com o corpo. A retirada dos fatores que contribuem para diminuir a imunidade ajuda na retomada do equilíbrio possível de cada organismo (homeostase).

Não tem a facilidade da “pílula mágica”…mas no longo prazo se traduz numa vida com muito mais qualidade e saúde!

 

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