Um internauta escreveu:

“Olho direito afetado por DPV. À ultrassonografia:  Vítreo com presença de ecos puntiformes de baixa a média refletividade, móveis mais concentrados em terço posterior da cavidade vítrea sugerindo processo degenerativo vítreo. Presença de membrana descontínua de média refletividade e alta mobilidade apresentando pós-movimentos e aparentemente com fixação residual disca. Imagem compatível com hialoide posterior discretamente espessada e parcialmente descolada (DESCOLAMENTO POSTERIOR PARCIAL DE VITREO). Retina aplicada. Coroide aplicada, com espessura e contorno dentro da normalidade. Diâmetro axial similar ao do olho adelfo. Não foi observada área de tração vítreo-retiniana durante as ecografias estática e dinâmica.

Pelo que li nos seus comentários a cirurgia para DPV para traz riscos sem a garantia de ser 100%. Então como lidar com este problema no dia a dia? Será que este problema pode com o tempo piorar e chegar a perder a visão do olho direito? O que se pode fazer e não fazer para levar uma vida sem muita preocupação em relação a isso? Pegar peso, ficar com a cabeça baixa muito tempo, óculos de sol usar sempre que sair na rua. Enfim, doutora, a sua explicação será de grande valia para nós.”

Quanto ao DPV parcial sem tração vitreo-retinana ou vítreo-macular mais especificamente, não existe nenhuma indicação cirúrgica ou tratamento clinico indicado para “prevenir” futura complicação que pode, inclusive, NUNCA existir! O DPV é cada vez mais comum entre nós (principalmente após os 50-60 anos). Assim como não conseguimos identificar uma causa (na maioria dos eventos), não temos nenhum “guideline” para orientar a respeito de prevenção de complicações (que não são frequentes- têm baixa incidência se compararmos ao número total de eventos de DPV). Mas o senso comum lembra que se “perdemos a proteção vítrea”, se a estrutura do binômio vítreo-retina foi modificada deveríamos sempre que possível evitar a tração brusca dos olhos (movimentos bruscos de cabeça), inversões da posição supina (evitar ficar de cabeça para baixo, fazendo atuar negativamente a força da gravidade) e situações de risco de trauma ocular (esportes radicais, de luta, etc).
Quanto à proteção UV e a alimentação funcional relacionada à mácula (luteina e zeaxantina principalmente),com certeza são medidas que todos deveríamos tomar para privilegiar a função visual nesta faixa etária em que já se acumulam agressões internas e externas (micro e macro ambientais). Uma ajuda extra (ao bom funcionamento dos olhos) com certeza só fará bem, não é?

Apenas gostaria de acrescentar que mesmo sabendo que existem coisas muito piores nós, humanos que somos, por vezes custamos a aceitar uma realidade diferente da que estávamos acostumados. Principalmente em relação à saúde e especialmente um dos sentidos (neste caso a visão) que, afinal, são as formas de comunicação nossa com o mundo que nos cerca.

Por experiência própria posso dizer que existirão dias melhores e outros não tão bons assim. Mas existe um ditado que diz “…se não tem remédio…remediado está…”. Em outras palavras, se não há o que eu possa fazer a respeito então não devo insistir e sim voltar a atenção para outra direção. Ou seja, tentar “dar a volta por cima” sempre lembrando que sofremos apenas um “arranhãozinho” na nossa visão…mas ainda podemos ver!

Monitorizar com a periodicidade sugerida pelo especialista, sim! Mas após cada consulta, verificada a inexistência de qualquer motivo de preocupação maior, seguir com a disposição de enxergar apenas o que se deseja e precisa, procurando ignorar as incômodas moscas volantes.